Por bferreira

Rio - A crise nas finanças do Estado do Rio de Janeiro não pode cair no colo de trabalhadores e dos mais pobres. Estes são os mais sensíveis aos aumentos de preços e fim de subsídios. Mas, pelo visto, o governo de Luiz Fernando Pezão não está levando muito a sério esse impacto.

A Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos dobrou o preço do almoço nos restaurantes populares, passando de R$ 1 para R$ 2 — e o café da manhã subiu de 35 centavos para 50 centavos. O programa, inaugurado em 2000 pelo então governador Anthony Garotinho, é uma conquista de todos nós. Até mesmo de visitantes.

O serviço de café da manhã e almoço nos 16 restaurantes populares do estado, sem o aumento, custa R$ 21,4 milhões por ano. Com os reajustes, o valor sobe para R$ 37,5 milhões; no entanto, o estado economizará R$ 16,1 milhões com o fim do subsídio. E quem assume essa conta é o povo. Os números são do Sistema de Informações Gerenciais da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio (SIG).

A Secretaria de Assistência Social alega que o aumento servirá para a melhoria da qualidade da comida. E ressalta que “é necessário e nada assombroso, tendo em vista o preço do pão”.

Assombroso é assistir a um governo jogar sobre os pobres uma conta que não é deles. Segundo o SIG, nos quatro primeiros meses deste ano, o governo estadual gastou R$ 3,7 milhões com diárias e passagens, R$ 9,4 milhões com publicidade e R$ 5,5 milhões com consultoria. Somando tudo, dá para subsidiar a comida daqueles que mais precisam.

Em abril, o governador cortou o subsídio na passagem do metrô para economizar R$ 22 milhões por ano. A medida atingiu passageiros que utilizam o Bilhete Único; em dezembro de 2014, já havia reduzido o subsídio para passagens de ônibus intermunicipais, trens e barcas.

Pezão, dá para tirar o pé de cima dos mais necessitados e dos trabalhadores do nosso estado?

Rogerio Lisboa é líder do PR na Alerj

Você pode gostar