Editorial: A guerra ao fumo precisa continuar

Em pouco menos de dez anos, caiu em um terço o número de fumantes, de modo que hoje, no país, somente um em cada dez mantém o hábito

Por O Dia

Rio - Têm mostrado bons resultados as medidas do governo federal contra o cigarro, como O DIA detalha hoje. Em pouco menos de dez anos, caiu em um terço o número de fumantes, de modo que hoje, no país, somente um em cada dez mantém o hábito; houve expressiva redução na quantidade de pessoas expostas à fumaça de cinco anos para cá; e mais brasileiros tentaram largar o vício nos últimos 12 meses. Mérito de campanhas coordenadas que, seguindo diretrizes internacionais, tentam banir o fumo no Brasil.

Críticos acusam o governo de intervenção e de cercear o livre-arbítrio do fumante. Mas as ações ainda são necessárias, dada a gravidade da questão, que sem sombra de dúvida é de saúde pública. O tabagismo ainda mata 200 mil pessoas no Brasil a cada ano, muitos por bronquite ou enfisema, cujo tratamento é doloroso, longo e caro. Não há possibilidade de achar positivo fomentar essa indústria.

Atacou-se em várias frentes. Proibiu-se a propaganda, agora restrita — e bem discreta — nos pontos de venda; aumentaram-se os impostos do cigarro, medida que talvez tenha sido a mais bem-sucedida nessa empreitada; e se fechou o cerco contra fumantes, cada vez com menos áreas para acender o cigarro. O Brasil há muito deixou de permitir o consumo dessas substâncias em locais fechados e mesmo em fumódromos. Consente-se ao ar livre — mas muitos países, como os Estados Unidos, diminuíram ainda mais essas áreas, como forma de conter a exposição à fumaça.

Muitos dos fumantes têm mais idade, mas a maioria experimenta ainda na juventude, o que reforça a importância das campanhas educativas. Preocupa ainda o ligeiro aumento do consumo de produtos contrabandeados, mais nocivos que os fabricados no Brasil, estratagema usado para burlar os altos preços. A guerra ao fumo é longa, porém necessária, e todo o país ganhará se obtiver êxito.

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