Aristóteles Drummond: A falta de um líder

Vivi na mocidade, já no jornalismo, o quarto centenário, no último ano do governo Carlos Lacerda

Por O Dia

Rio - Estamos na temporada dos 450 anos da cidade com programação intensa, sólida, com forte apoio da Prefeitura do Rio. E temos o sentimento de que vivemos um aniversário emblemático mais pelas mudanças por que passa o Rio do que pelo redondo da data.

Vivi na mocidade, já no jornalismo, o quarto centenário, no último ano do governo Carlos Lacerda. E este tudo fez para promover a festa e tirar proveito eleitoral, já que estávamos na sucessão estadual. Realmente foi intenso, com promoções no futebol, basquete, desfile de escola de samba no Jockey Club, uma corrida automobilística memorável na Barra, promoção da Rainha do 4º Centenário. Uma festa atrás da outra.

O detalhe, inacreditavelmente pouco valorizado no que vem sendo publicado, é que o clima de animação e adesão da população, com reflexos nos demais estados que fizeram a festa da hotelaria, participando dos eventos, teve ao fundo um empresário carismático, empreendedor e apaixonado pelo Rio. Abraão Medina, dono da loja Rei da Voz, líder na venda de eletrodomésticos e grande incentivador. Tinha a percepção de que, quanto melhor a cidade, melhor para os negócios. Um militante movido a trabalho e idealismo.
Abraão deixou um legado positivo nos filhos, que soube educar com valores do espírito público e do amor à cidade em que nasceram. Assim é que Rubem foi deputado federal por nove mandatos, exercendo outras funções públicas na prefeitura e no estado. E o outro, Roberto, criou o Rock in Rio, hoje grife internacional, mas que tem no evento carioca seu grande momento.

Foram anos de líderes de classe com vocação de homens de Estado, como Rui Gomes de Almeida, Antônio Carlos Osório, Victor Bouças, José Luiz Moreira de Souza, Rui Barreto e Theophilo de Azeredo Santos, estes ainda atuantes. Eles muito fizeram para que o Rio não perdesse sua importância como centro comercial e financeiro e das grandes decisões nacionais.

Mesmo em fase de alta tecnologia, cidades, estados e países não podem prescindir de lideranças, de quem tenha ideias e projetos que vinguem. O Brasil vive um momento muito pobre de lideranças, inclusive, ou principalmente, empresariais. O Rio, no entanto, tem sido mais feliz neste particular, desde o primeiro mandato de Sérgio Cabral, que não pode ser esquecido como o homem que reverteu um quadro degradante, a Pezão, incansável trabalhador. E, na prefeitura, este fenômeno de obstinação e paixão pelo que faz que é Eduardo Paes. O homem é muito importante e faz a diferença!

Aristóteles Drummond é jornalista

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