Fernando Scarpa: Perseguidor do rabo preso

E lá vai o PT fanfarrão, alardeando que nunca se prendeu tanto, vai acabar prendendo a si mesmo

Por O Dia

Rio - Interessante assistir à propaganda do PT exaltando que nunca se prendeu tanto no país. Pretende, com isso, confirmar a promessa da presidenta de combate à corrupção? Até aqui, tudo bem, assim deve ser e continuar. Acontece que a propaganda é oportunista, vale-se da consequência das investigações da Polícia Federal por conta da farra do dinheiro desviado pelo próprio partido — não por medida voluntária, até porque nem poderia, tal o nível de envolvimento com a corrupção. Ora, isso é vantagem ou o governo que está no poder há anos foi o que mais corrupção produziu, só restando a cadeia? A corrupção sempre existiu, mas eles perderam a mão. Afinal, quem nunca comeu melado quando come se lambuza! O PT, ao que tudo indica, entrou ávido por poder e dinheiro.

Vemos o fascismo da mídia do governo, que se utiliza da tragédia que produziu para se vangloriar. Tem que prender mesmo. É seu dever, assim como produzir Educação, Saúde e cultura. Nestes aspectos, não se vangloria nem se promove nada. Há um débito com a população. Muita coisa ‘boa’ aconteceu para os menos favorecidos, diz o PT, referindo-se à política de assistencialismo, a pobreza que mais ajuda a continuar pobre do que levar evolução e desenvolvimento para o país e os subdesenvolvidos da sociedade.

Política de gosto duvidoso e de consequência perversa. Sustentar a pobreza é caro, inibe a iniciativa de trabalho e desenvolvimento humano. Instiga a indolência, não se pode considerar isso bom, é mau. Para os mais favorecidos — empresários, empreiteiros, políticos, intermediários, Judiciário —, os que negociam com o mercadão do dinheiro público, a estratégia também é má. A farra do desejo de viver no luxo do luxo é insaciável — nem o céu é o limite, e a grana vem da corrupção. Com trabalho honesto, é impossível. Suportar a carga tributária inviabiliza o lucro. Esse sócio ganancioso não trabalha, só faz retirada. Do prejuízo, não quer saber.

E lá vai o PT fanfarrão, alardeando que nunca se prendeu tanto, vai acabar prendendo a si mesmo. Quem vai fechar a cela do ‘último’ a entrar em cana? A situação tem um quê da Era Collor, quando na tevê ele alardeava a caça implacável aos marajás. Acabou no lugar da caça, era o marajá-mor da situação, querendo fazer presença de honesto. Acabou ‘impichado’. Fica a lição: é arriscado e perigoso ser seu próprio perseguidor quando se tem o rabo preso!

Fernando Scarpa é psicanalista

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