Por felipe.martins

Rio - No ano que vem, Thiers Montebello deixa a presidência do Tribunal de Contas do Município — mas pode ser salvo pela nova legislação. Nesses tempos de pouca confiança nos homens públicos, de comportamentos que constrangem, é sempre bom mostrar que nem tudo está perdido e temos base de servidores públicos de boa conduta e biografia a mostrar.

É justamente o caso de Thiers, advogado e delegado conceituado. Foi vereador mais de uma vez, bem votado e bem avaliado. No TCM, fez da Corte uma presença muito positiva em termos nacionais. É um homem que cultua os valores permanentes na formação do cidadão e cultor da memória de seu pai, que marcou época como advogado na cidade.

Fazer da vida pública um apostolado da cordialidade, tornando-se reservas morais da política regional, é o que temos em alguns políticos retirados, mas presentes ainda na lembrança e na atuação discreta de quem já cumpriu sua missão. Assim é o ex-presidente da Assembleia Gilberto Rodriguez, homem cordial e solidário, que fez política com muita habilidade e nem sempre lidando com gente capaz de dar um toque de sensibilidade humana em suas atividades. Outro deputado estadual admirável foi Josias Ávila, de São Gonçalo, onde continua, desinteressadamente, a servir à população local, com muita fé e bondade. Muitos mandatos e uma aposentadoria modesta, digna.

O Rio tem um banco de reservas de alta qualidade. Mauro Magalhães, até hoje fiel cultor da obra de Carlos Lacerda, Aloísio Maria Teixeira Filho, de três mandatos na Alerj e dois na Câmara dos Deputados, hoteleiro empreendedor, mas sempre ligado aos interesses do Rio. Homens que passaram pela política, deixaram serviços prestados e nada receberam em troca, que não o respeito do eleitor e o carinho dos companheiros, acima de filiações partidárias. Lembro ainda um veterano como Wilson Leite Passos e um jovem como Sergio Veiga Brito.

A política pode voltar a contar com um número maior de brasileiros com vocação e disposição. O povo mesmo, acusado de votar mal, já arquivou muita gente ruim, aproveitadora, carreirista, que, apesar das altas funções exercidas, não consegue se eleger, nem mesmo com gastos milionários. Alguns chegaram a renunciar a disputas para fugir do vexame, mantendo participação apenas em função de ligações de amizade, ou sociedade, com homens bafejados pelo destino.

Que os jovens se habilitem à vida pública, mirando nestes e em outros homens que entraram e saíram limpos.

Você pode gostar