Por felipe.martins

Rio - Soa como pilhéria (mesmo que colocada em tom de sugestão) a possibilidade da volta da CPMF (imposto do cheque) para socorrer o falido sistema de saúde pública brasileiro. Se a contribuição sobre movimentações financeiras, que vigorou entre 1997 a 2007 e arrecadou mais de R$ 40 bilhões, não deu jeito à precariedade dos hospitais públicos à época, agora, com uma demanda bem maior de desassistidos, não seria diferente. Em um país que penaliza consumidores e todo o setor produtivo com as mais pesadas cargas tributárias, criar mais imposto ou camuflar outro com novo nome é colocar mais lenha na fogueira. É fustigar as discussões do ajuste fiscal e as consequentes perdas de trabalhadores e segurados do INSS.

Menos mal que a ideia de ressuscitar a contribuição, que teria partido do titular da pasta de Saúde, Arthur Chioro, num primeiro momento, foi logo rechaçada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. E espera-se que a ideia morra mesmo no nascedouro. Porque, aos brasileiros, está claro que mais imposto não significa menos problemas e mais qualidade de vida.

Segundo recente pesquisa, o Brasil ocupa, pelo quinto ano seguido, a última colocação, entre 30 nações, no ranking que mede o retorno de tributos pagos em serviços à população. Para se ter uma ideia, este ano, o país já alcançou a marca recorde de R$ 800 bilhões arrecadados em impostos. No entanto, além do mau atendimento na saúde, continua a oferecer péssima qualidade no ensino, na segurança, transportes, saneamento básico, entre outros.

Por isso, mais do que aumentar a volúpia arrecadatória, o governo precisa aprender a gastar melhor os recursos. Quem sabe entupindo os ralos da corrupção por onde escoam as verbas públicas sobre mais dinheiro à saúde e a outros serviços básicos à população?

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