Por felipe.martins

Rio - Tá legal, amigos taxistas, eu aceito o argumento de vocês e concordo que aquele serviço que oferece carros e motoristas para pequenas corridas — o Uber — é uma forma de concorrência que tenta driblar a legislação. Mas, além de reclamar, vocês deveriam refletir um pouco sobre o que gerou a aceitação do novo sistema pelo público. Nem a fúria de um Eduardo Cunha é capaz de mudar uma lei como a da oferta e da procura, que sobreviveu até mesmo em países socialistas.

Vale lembrar que as vans também se valeram da precariedade do transporte público. O mau serviço prestado por ônibus (e trens, e metrô) é que viabilizou o chamado transporte alternativo. Volta e meia questionado sobre fórmulas para o sucesso empresarial, um antigo patrão, costumava recitar : “Descubra uma necessidade e a preencha.” Foi o que fizeram os antigos topiqueiros, é o que faz o pessoal do Uber.

Caros, desculpe, mas muitos de vocês confundem prestação de serviço com favor, acham que dão carona a quem pega um táxi. Nem sempre o passageiro quer conversar, trocar ideias sobre maioridade penal ou Bolsa Família. A recusa em levar o cliente a determinados lugares, corridas “no tiro”, uso da bandeira 2 fora do horário e a busca de trajetos mais longos são outros pecados mortais. A lista de problemas inclui a resistência em acionar o ar condicionado e a insistência em manter o rádio ligado, pior, na estação de preferência do motorista. Não faz muito tempo, era praxe o taxista perguntar ao usuário se ele queria ouvir a música, o jogo ou o culto religioso.

Pior que o rádio é o DVD/TV. Ninguém dá bola para a resolução do Conselho Nacional de Trânsito que restringe o uso desses aparelhos instalados na parte dianteira do carro — todos deveriam ter um mecanismo para impedir sua utilização quando o veículo estiver em movimento. Além de incomodar o passageiro, a TV distrai o motorista, não dá para prestar atenção no trânsito na hora do gol ou nas cenas em que o o casal da novela resolve partir para uma corrida de submarinos.

Placas nas ruas indicam a presença de radares, mas muitos taxistas fazem questão de instalar aquele mecanismo que apita ao perceber a aproximação dos pardais de controle de velocidade. Os sucessivos “piiiis” fazem lembrar a trilha sonora de uma UTI. Volta e meia, os alertas são interrompidos pelo grito de “Táxi!” acionado por aplicativos de celulares. Enfim, é justo que vocês briguem por seus direitos, mas não custa melhorar o serviço prestado. Até porque, como diz um outro samba, camarão que dorme a onda leva.

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