Por bferreira

Rio - O pequeno Noah pediu dinheiro ao avô, mas foi logo avisando: “Não quero a onça (nota de 50), me dá um peixe (nota de 100).” Se filho de malandro é, o neto será ao cubo, confere? Tirando onda, vou contar pra vocês o reencontro com Zeca Pagodinho e Mônica, casal amaríssimo.

Tinha que jogar tempo fora, muito, até chegar o tempo do compromisso. Resolvi bater perna no shopping dos ricos, Dia dos Namorados. Subindo uma das escadas rolantes, finíssimo, meu mundo caiu: um pai de santo gritou meu nome e veio me abraçar, gritando: “Tem champanhe de graça pra gente!”

Explico: foram montados inúmeros balcões ao longo dos corredores, e aquilo era motivo de festa para o babalaô. Ele continuou: “Vai no restaurante Pobre Juan que o Leleco Barbosa está lá.”

Assim fiz, só que nem sinal de Leleco, mas o forte orixá embriagado de fino néctar me fez dar de cara com Mônica, mulher maravilhosa, e seu insuperável Zeca. Ele foi puxando a cadeira, eu fui rindo com os dois, e observando maravilhado a ambientação do lugar. Lindo e rústico, com touros pendurados no teto, e o dono do local amigo deles, a me explicar que era obra de um japonês que mora no interior de São Paulo. Sem me dar conta das maldades do mundo, disparei: “É... Mas é chupado de Picasso.” Foi uma gargalhada só, e Zeca me explicou: “Chupado de Picasso não dá, Milton (há uma série de rabiscos do grande pintor chamada ‘Tauromaquia’ e aquilo era chupado, inspirado naquilo).” Não se pode marcar bobeira.

A doce Mônica me conta que é evangélica da Metodista da Barra, mas adora ver o Carnaval e apreciar a alegria da gente. Aí Zeca nos leva para uma loja de moda praia ao lado, onde sua filha empregou-se como gerente para descobrir o mercado desta que é sua vocação: as roupas.

Elogiando a disposição da moça, ele começa a me falar que dinheiro só serve se for para ser gasto com a família, os amigos e as crianças de Xerém. Marco uma ida para aplaudir a meninada do pé da serra e me despeço deste magistral Macunaíma brasileiro, generoso, esperto e aproveitador das coisas boas da vida. Espírito livre, impressão fugidia, volátil. Sempre indo embora, indo morar no infinito, constelação que é .

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