Aristóteles Drummond: Fortunas e fortunas

O Brasil forma com o Canadá e os EUA o trio de países com maior mobilidade social

Por O Dia

Rio - No regime capitalista, as fortunas são formadas pelo trabalho, pela poupança ou pela herança. Infelizmente também pela corrupção e à sombra de benefícios do Estado, via entidades financeiras. São os casos do BNDES, no Brasil, cujas operações são protegidas por sigilo que inclui o Congresso, ou no Chile, onde o banco oficial financiou especulação da nora da presidenta Bachelet, a “sogra do ano”.

O Brasil forma com o Canadá e os EUA o trio de países com maior mobilidade social. As fortunas são, em maioria, de primeira geração, e raramente chegam à terceira. Ao contrário, por exemplo, do Reino Unido, onde quase metade das fortunas veio de famílias súditas da rainha Vitória.

Assim é que as fortunas nascidas do trabalho e da sensibilidade para empreender de homens de origem modesta são altamente positivas e representam a face progressista do capitalismo, que, entre outras vantagens, é marca de países democráticos.

Na lista dos mais ricos do Brasil, a maioria é de primeira geração, no comércio, na indústria e no agronegócio. Nos bancos, os herdeiros não conseguiram manter as instituições e foram vendidos, incorporados ou liquidados. Prevalecem poucos casos, como o Itaú. Logo, o criador nem sempre tem a sorte de Nevaldo Rocha, que fundou o gigante Grupo Guararapes (Lojas Riachuelo), que tem no filho Flávio um companheiro e inovador. Hoje, muita coisa foi desnacionalizada por gestões ineptas, temerárias ou irresponsáveis de herdeiros. A lista é imensa e causa espanto quando avaliada.

Um livro que não deve deixar de ser lido é ‘Sonho Grande’, de Cristiane Correa, que conta a história de três homens (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira) oriundos da classe média, que se tornaram os mais importantes empresários do Brasil, com presença internacional, que são os acionistas e executivos da Ambev. Fortunas positivas, que geram empregos, impostos e divisas ao país, na austeridade elogiável no sistema de gestão empresarial como na vida pessoal do trio. Talento e trabalho bem entendido.

Nessa crise que vivemos, a superação só pode ser obtida pela livre empresa, criativa, que procura contornar nossas deficiências na produtividade da mão de obra, nos impostos altos e nas leis trabalhistas que colocam as empresas em situação de risco permanente. Fora deste caminho no mundo de hoje, só mesmo a decadência que vemos nos bolivarianos, ao contrário do México, Peru e da Colômbia, referências mais positivas no continente.

Aristóteles Drummond é jornalista

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