Por bferreira

Rio - Tacar pedra em um grupo de pessoas e atingir uma criança na cabeça é uma ignomínia que não pode ficar impune — e o Código Penal prevê até cinco anos de prisão nos casos de lesão corporal de natureza grave, quando há risco de vida. Se a agressão é motivada por intolerância, tem-se um triste exemplo de barbárie. O episódio da menina Kailane Campos, cujos desdobramentos O DIA relata hoje, merece total atenção da sociedade e das autoridades. É obrigação investigá-lo a fundo e identificar e punir os agressores.

Garante a família da menina que, antes de jogar a pedra, dois homens, supostamente evangélicos, ofenderam o grupo, que seguia para uma cerimônia. Em seguida, numa atitude igualmente covarde, fugiram num ônibus.

Este espaço com frequência pede pela tolerância irrestrita, destacando a enorme diferença entre concordar, aceitar, respeitar, difamar, ridicularizar e eliminar. Infelizmente grassam na sociedade segmentos que gastam tempo e energia praticando os dois últimos. E não apenas contra religiões, mas também contra homossexuais, mulheres, moradores de rua — tudo o que puder ser tachado de ‘diferente’, ‘intimidador’ ou ‘ameaçador’.

Essa intolerância, não por acaso também crime previsto em lei, não pode continuar. E não se trata de privilegiar esta ou aquela crença nem de impor uma determinada orientação sexual. É uma questão de respeito à diversidade, à liberdade e à integridade dos cidadãos, premissa fundamental de qualquer Estado Democrático de Direito.

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