Martha Rocha: Investigar e proteger

A chegada da vítima à delegacia de polícia já indica que o policiamento preventivo não foi capaz de evitar o delito

Por O Dia

Rio - Há alguns anos, jamais poderíamos imaginar que bicicletas e facas estivessem ligadas a tantos temores. De uns tempos para cá, nos vemos surpreendidos e assustados com a crescente onda de roubos e furtos de bicicletas. Breve pesquisa nos jornais me chama a atenção que, em boa parte desses crimes, a ameaça ou a violência se concretizam com o emprego de faca. Lamentavelmente, a lei, via de regra, não responde em tempo real aos anseios da sociedade, o que a torna ineficiente para cumprir seu papel de combate à impunidade. Não há prisão para quem, unicamente, é pego portando uma faca ou um punhal. Já é tempo de se criminalizar o porte de arma branca, em cuja categoria se enquadram as facas, os punhais, etc.

Podemos dizer, sem medo de errar, que o crime é objeto de mutação frequente, muitas vezes como reflexo do mandamento legal ou da ação policial. É por isso que se faz preciso que a mancha criminal seja analisada por olhos bastante atentos, de modo a identificar as mudanças que se apresentam, seja no aspecto do território ou da dinâmica do evento, avaliando-se, inclusive, o impacto na rotina e na sensação de insegurança das vítimas e da sociedade em geral.

Nossa sugestão de inclusão do novo título no registro policial ‘roubo e furto de bicicleta’ se apresenta porque há muito o que se fazer após a realização do Registro de Ocorrência. Este se traduz como ciência da notícia criminosa. Concluído o registro, a verdadeira atividade policial investigativa se inicia, buscando autores e provas que possam permitir, dentre outras medidas, levar o culpado a julgamento. Lembre-se que a chegada da vítima à delegacia de polícia já indica que o policiamento preventivo não foi capaz de evitar o delito.

Devemos, então, permitir que a investigação alcance o seu objetivo, resgatando a sensação de segurança e afastando a impunidade. Nestes casos, além da identificação dos autores da subtração, devemos perguntar e responder: para onde foram ou iriam as bicicletas subtraídas? Quem são os autores? Onde estão os receptadores? Quantas e quais são as quadrilhas responsáveis por este crimes?

Vamos mudando o que tem que se mudar.

Martha Rocha é pres. da Com. de Segurança Pública da Alerj

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