Por bferreira

Rio - A encíclica ‘Louvado Seja’, robusto documento assinado pelo Papa Francisco e divulgado ontem pelo Vaticano, encurta a incompreensível distância que o ‘senso comum’ enxergava entre religião, no sentido amplo, e ecologia. São duas dimensões de fato distintas, mas intimamente ligadas, pois servem ao mesmo objetivo: a construção de um mundo melhor para todos.

Os mais religiosos tendem a acreditar em um determinismo, em uma simplificação da vida e em uma inexorabilidade do próprio destino. Mas nenhuma crença pode dissociar-se do mundo físico em que se insere, até porque um cataclismo ambiental atinge a todos, independentemente de credo.

O Papa Francisco, em mais um episódio de lucidez em seu Pontificado, elenca ameaças bastante plausíveis para os próximos anos. Uma delas é o risco de haver grave disputa pela água, algo que pode alterar radicalmente as relações entre países e o modo de vida nas cidades. Francisco também sublinhou o passivo ainda não resolvido causado pelas nações mais ricas, sugerindo pagar esse “débito”.

Olhar para o meio ambiente envolve dimensões econômicas, sociais, geográficas, científicas e teológicas — e sobretudo humanitárias. É impossível conceber uma vida digna se a casa está descuidada ou se o consumo é desenfreado. Um cuidado mais fraterno com o planeta e seus recursos é garantia de futuro digno para todos.

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