Por bferreira

Rio - Há um provérbio na África que diz: “Uma cidade sem música não é um bom lugar para se viver.” Não me lembro de ter conhecido alguém que não goste de música. A questão é: quem vai fazer música para que possamos ouvi-la? Sim, eu sei, há os profissionais. Mas, antes da existência do rádio, só havia música em casa se houvesse alguém, profissional ou não, que pudesse fazê-la. Outra: algumas culturas desconhecem a figura do músico profissional, simplesmente porque todos fazem música.

Entendo que nesse momento você esteja pensando naquela pessoa (ou em você mesmo!) que “definitivamente não tem jeito para a música”. Pois é, acontece que esse ‘sem jeito’ surgiu na história da nossa cultura em um determinado momento. Antes não era assim. E, como eu disse, em algumas culturas nunca será.

Você poderia argumentar: “Mas e aquele que não tem ritmo? E aquele que é desafinado?” Aí é que está, olha que interessante: todos nós (todos!), mesmo os ‘sem ritmo’, quando caminhamos, conseguimos manter no andar a regularidade necessária para manter perfeitamente um ritmo! Todos nós (todos!), mesmo os ‘desafinados’, quando falamos ao telefone, percebemos variações no som muito mais difíceis de serem percebidas do que, por exemplo, a mudança de uma nota para outra em uma melodia. Quem de nós não percebe quando um parente não está bem só de ouvi-lo dizer “alô”?

O problema é trazer todas essas habilidades para a prática musical. Dizer que todos têm a música dentro de si pode ser bonito de ouvir, mas não é de muita ajuda para quem percebe que está fora do ritmo ou desafinado. Nesse sentido não deve haver ilusões: ter um bom professor é essencial.

De qualquer forma, minha preocupação hoje é que você concorde que é inadmissível que tantas pessoas no mundo passem por essa vida sem fazer música. Não é apenas importante para a formação de uma pessoa: é fundamental! Vários estudos afirmam isso, os gregos antigos já sabiam disso e qualquer pessoa que faz música o sente. Então, o que você está esperando?

Lucas Ciavatta é mestre em Educação pela UFF e diretor do Bloco d’O Passo

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