Por bferreira

Rio - Acabo de lançar um novo disco junto com o Samba do Trabalhador, comemorando dez anos da nossa história. Uma das músicas, ‘Camarão Vegê’, chamou atenção de um camarada das antigas: mas do que se trata esse tal vegê?

Eu, que vivo tropeçando atrás de um assunto interessante, parágrafos de novidades ou flasbacks etílicos, me cutuquei: “Preciso falar sobre as músicas e suas inspirações”.

Por alto, devo ter quase 200 canções e sambas gravados. Algumas nascem da mais banal observação, nem sempre um amor proibido, como cantou o mestre Cartola, que também se ocupou das rosas pra compor sua maior obra­prima.

Nas férias de um verão de 92, Aldir, meu parceiro, aceitou passar a estação em Búzios, mar de Caribe, peixes brasileiros. Um sujeito o reconhece fazendo questão de convidá­lo pra uma moqueca “caprichada” nas cebolas, branca e roxa. Ainda gritou na despedida, “carregada no dendê e pimenta, muita pimenta!”

Aldir preferiu ouvir as andorinhas na varanda da pousada. Dias depois, compusemos ‘Meu Tempero é Sal’, gravado no CD ‘Vitória da Ilusão’. Da mesma época, 1989, recebi a visita do querido Paulo Cesar Pinheiro na minha casa da Tijuca. Minutos depois, já éramos três na mesa com o Aldir Blanc. Eu tinha composto um samba, um samba de quadra, de meio de ano, sem grandes pretensões. A madrinha Beth Carvalho elogiou a linha melódica, mas acendeu uma luz sobre o trabalho: “Você tem parceiros maravilhosos. Muda a letra, a música, promete!”

Ali, sentados, juntos, fiz o convite.

Um detalhe. Morávamos no mesmo prédio, Eu e Aldir.

A cerveja acabou. O vizinho parceiro subiu pra repor a geladeira. Voltou com os olhos brilhando e um sorriso sincero: “Pode trocar a cortina da sala, fizemos um sucesso!”. Nas mãos, a primeira parte desse enredo. Paulinho, agitado, correu pra escrever a segunda e, no fim da tarde, eu ligava pra nossa cantora:

“Beth, aquele samba vai se chamar ‘Saudades da Guanabara’”. Escuta aí...

Ainda me emociono com esse dia.

Meu querido Danilo, insiste no “vegê”.

Fiz o samba pro querido Junior de Oliveira, neto do gênio Silas. Na verdade, em homenagem a um ex-sogro, pescador em Jurujuba, Niterói. Em tempo. Camarão VG é a denominação de verdadeiramente grande, coisa de rico.

Conheço de fotografia.

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