Editorial: Aposentados: regras austeras para todos

Para evitar a quebradeira e a Previdência parar de gastar mais com o pagamento dos benefícios do que arrecada, é preciso se rediscutir todo o sistema, incluindo não só os segurados do INSS, mas também os servidores públicos e militares

Por O Dia

Rio - As discussões sobre as aposentadorias do INSS opõem governo e Congresso e, pelas propostas apresentadas até aqui, esse cabo de guerra tende a estourar de novo nas mãos dos trabalhadores e, a reboque, também dos inativos. As medidas lançadas, como fatores, progressividade, expectativa de vida e etc — todas para conter a sangria previdenciária desatada — só atingem uma categoria: os trabalhadores da iniciativa privada. Para evitar a quebradeira e a Previdência parar de gastar mais com o pagamento dos benefícios do que arrecada, é preciso se rediscutir todo o sistema, incluindo não só os segurados do INSS, mas também os servidores públicos e militares.

Auditoria no final do ano passado do Tribunal de Contas da União, com base em despesas de 2013, constatou que o déficit com benefícios de quase 1 milhão de funcionários públicos da União e militares era maior do que dos inativos da iniciativa privada. Juntos, os 670 mil beneficiados do funcionalismo e os 270 mil segurados militares geraram déficit de R$ 62 bilhões, contra R$ 50 bilhões dos 24 milhões de aposentados do INSS. Segundo o relatório, a despesa do governo com todo o sistema chegou a R$ 446 bilhões, o dobro do gasto com saúde, educação e programas sociais juntos.

Portanto, a sobrevivência da Previdência vai muito além da discussão de mecanismos para adiar ou reduzir as já paupérrimas aposentadorias do INSS. A mesma regra austera do regime previdenciário deve valer para todos, sem distinção. Afinal, o dinheiro que custeia todo o sistema sai do mesmo bolso, os impostos pagos por toda a população.

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