Mauro Silva: Por um foco pleno nos jovens

Mais importante que discutir idade e formas de punição, precisamos ampliar o leque de opções e garantir um futuro digno

Por O Dia

Rio -  Os casos de violência envolvendo menores ganham sempre grande repercussão na mídia e acirram debates sobre a redução da maioridade penal no país. Parado há mais de duas décadas no Congresso, projeto que trata do tema foi desengavetado este ano e já recebeu aval da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que considerou a constitucionalidade da proposta de emenda à constituição reduzindo a idade de 18 para 16 anos.

Na sociedade democrática, toda discussão é salutar, mas nesse caso específico falta um empenho maior no debate de iniciativas que possam combater as desigualdades sociais, as falhas na Educação — tanto na escola, quanto na família — e o tímido nível de empregabilidade de jovens das camadas mais carentes. É preciso atitude para fazer frente às muitas ‘benesses’ ofertadas pelo vasto mundo do crime.

Com o inchaço dos grandes centros e a pressão exercidas pelas forças de segurança nessas regiões com maior concentração populacional, percebe-se o aumento da violência nas cidades do interior, e cresce a necessidade de ações rápidas para conter esse quadro.

O Município de Campos, no Norte Fluminense, por exemplo, já é destaque no estado com o conjunto de políticas públicas para a criança e o adolescente. Através da Fundação Municipal da Infância e Juventude e seus polos implantados em bairros e distritos, são desenvolvidos programas voltados para a formação da cidadania e de inclusão, além de cursos profissionalizantes.

Essas iniciativas contribuem, de forma decisiva, para dar norte à vida de muitos menores em situação de risco. Os mais novos, a partir dos 6 anos, participam de oficinas de dança, música, teatro e esportes. Adolescentes entre 14 e 18 anos têm ainda a opção de qualificação nas áreas de gastronomia, beleza, grafite, gráfica e automotiva (lanternagem, pintura e mecânica).

Mais importante que discutir idade adequada e formas de punição, precisamos, de uma forma geral, ampliar o leque de opções para garantir um futuro digno aos nossos jovens, vislumbrando a solução do problema na questão social.

Mauro Silva é jornalista, advogado e vereador de Campos

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