Milton Cunha: Caçando rolinhas

Será que todo o Brasil tem que viver como os religiosos querem? E quem não acredita nisto é obrigado a entubar?

Por O Dia

Rio - A coisa mais moderna (e isso já tem 200 anos!) é declarar a igualdade entre os indivíduos, a liberdade e a justiça para todos. Isto é muito corajoso, e são poucos os que levam esta afirmação aos limites da verdade absoluta. A maioria se diz a favor, até que lhe aperte os calos. Não, os indivíduos não seriam iguais, e não são livres, nem devem ser julgados da mesma maneira. Dois pesos, duas medidas.

Temos o mundo das ideias, da teoria, onde esta construção é linda, declarada, escrita. A isto denominamos utopia, um mundo belo, onde pretos, brancos, árabes, judeus, gays, héteros, crianças, velhos, gordos, magros, feios, bonitos, ricos, pobres, todos vivam com as mesmas oportunidades, libertos de qualquer opressão e tratados igual sob a balança da Justiça. Esta utopia é designada como avanço, moderno, contemporâneo. E existe uma outra palavra, conservador, que é utilizada para ser o oposto desta ideia, e designar todos os seres humanos que não concordam que o mundo deva ser habitado por seres humanos que sejam iguais, livres e justiçados.

Os conservadores, eles representam os pensamentos do passado, que acreditavam que todo hétero era saudável e gay, doente; que judeu merecia morrer em campo de concentração; que preto deveria ser escravo; que mulher era mais burra e menos talentosa que os homens para certas tarefas importantes; que toda criança é um poço de bondade; que virgens são mais respeitáveis que as que dão com prazer; que freira não pode ser papa; que favelado quase sempre não presta; que todo baiano é preguiçoso; que o que é bom para a Europa tem que ser bom também para o Brasil, e por aí vai. Mas desde que o mundo é mundo, tem sempre escravo querendo se libertar; mulher lutando pra votar e dar para quem quiser; bicha se dizendo sujeito respeitável; baiano trabalhando muito e fazendo fortuna; sucessos no primeiro mundo não funcionando no terceiro mundo; e por aí vai.

Tá todo mundo dizendo que vem por aí, no Brasil, uma grande onda conservadora, que vai travar os avanços das conquistas sociais que estamos lutando para implantar. Estão dizendo isso baseado na eleição e força política cada vez maior dos políticos das religiões. Como eles são eleitos pelos que acreditam que este mundo de antigamente era melhor, mais correto que o mundo atual, podemos concluir que a galera conservadora é numerosa e eficiente nas eleições. Será que todo o Brasil tem que viver como os religiosos querem? E quem não acredita nisto é obrigado a entubar?

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