Lélio Braga Calhau: Aposentado: dá para confiar no governo?

O mesmo governo que reduz a ação da aposentadoria, paga juros de 6% ao ano, mais o IPCA, para investimentos no Tesouro Direto

Por O Dia

Rio - A mudança nas regras da aposentadoria têm causado grande preocupação na população brasileira. Não seria para menos. O assunto mexe com a gente, e muito. As pessoas contribuem por anos e esperam, numa fase posterior, onde a força física e a saúde já não são as mesmas de outrora, ter a segurança e a tranquilidade de receber mensalmente um valor suficiente para a vida, na aposentadoria.

Infelizmente, a verdade é que não há mais segurança e tranquilidade quando tratamos da aposentadoria, ainda mais em tempos de crise econômica. Mais que reclamar, temos que aceitar a nova realidade desse fato e reagir. Mais do que nunca, construir paulatinamente uma reserva financeira é essencial por parte de cada um de nós.

Essa reserva pode começar a ser construída com valores pequenos, todos os meses. Pouco a pouco, vá aumentando esses valores e, com bons investimentos , você acabará se beneficiando da ação avassaladora dos juros compostos. Bom exemplo é a aplicação no Tesouro Direto.

Com mudança de comportamento e a adoção de hábitos financeiros positivos, como reduzir despesas, pegar trabalhos como freelancer, vender coisas inúteis ou estudar educação financeira gratuitamente na internet, você pode mudar o seu futuro. Não confie apenas na aposentadoria oferecida pelo governo. Crie alternativas que vão fazer a diferença na sua vida, complementando e atendendo a suas efetivas necessidades.

Por fim, chega a ser um paradoxo. O mesmo governo federal que reduz a ação da aposentadoria pública, relutando em abolir na prática o fator previdenciário, paga juros de 6% ao ano, mais a inflação (medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA), para investimentos no Tesouro Direto. Isso pode lhe proporcionar a construção, no longo prazo, de uma reserva tão importante quanto a aposentadoria. Não deixe seu futuro na mão do governo. Dá trabalho, mas dá resultado. O seu futuro agradece!

Lélio Braga Calhau é promotor de Justiça de Defesa do consumidor do MP mineiro

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