Aristóteles Drummond: Nardes, digno e preparado

Augusto Nardes fez uma carreira com crescente reconhecimento popular e respeito de seus pares

Por O Dia

Rio - Relator das contas do governo federal relativas ao ano passado, Augusto Nardes é um homem público digno, que mostra que existem nichos de qualidade entre nossos políticos. Fez uma carreira com crescente reconhecimento popular e respeito de seus pares.

Com pouco mais de 50 anos, Nardes já havia sido vereador e deputado estadual, tendo cumprido três mandatos federais. Ao disputar com três outros colegas a indicação para o Tribunal de Contas da União, venceu com folga, embora a bancada de seu partido fosse a quinta da Câmara dos Deputados.

Prevaleceram na escolha do plenário a trajetória e o preparo de Nardes para as responsabilidades do TCU.
Formado em Administração, com curso na Suíça de especialização, estudioso, marcou presença nas comissões da Câmara, como a de Agricultura e a de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Acompanhou os estudos referentes à reforma tributária, sempre na linha da simplificação e da busca de meios de se aumentar a base de contribuintes, e não os impostos, que oneram a produção. Coerente, nunca mudou de partido na busca de vantagens.

A grave questão das contas envolve um componente político muito forte. Responsável e de bom senso, apressou-se em dar prazo para que o governo esclareça o uso — e parece que o abuso — de subterfúgios para mascarar a realidade do Orçamento da União.

Não se trata de valores insignificantes, muito pelo contrário. Por isso, a condução firme, mas paciente do ministro Nardes tem sido importante. Inclusive pela discrição com que se comporta, mostrando que vida pública se faz com elegância e categoria.

Não será surpresa se vier a buscar uma solução para não propor a recusa das contas, que seria fato inédito na vida republicana. Sem prejuízo das responsabilidades de relator, da credibilidade do Tribunal, pode propor uma correção de rumos no acerto do que foi feito de maneira temerária. Além de responsabilizar os responsáveis pela execução das medidas condenadas.

Temos um homem de bem, sério, que honra as melhores tradições da política dos gaúchos e, portanto, devemos esperar que o prazo se esgote sem maiores tensões. E quem explorar politicamente a questão não estará prejudicando o governo, mas o país como um todo, já fragilizado nos mercados e vulnerável, depois do caso Petrobras, e provocando um novo desgaste caso prevaleça a tradicional impunidade. A questão é técnica e jurídica!

Aristóteles Drummond é jornalista

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