Editorial: Gestão mais profissional de táxis

Encarar o táxi como uma capitania hereditária aumenta o risco de acomodação, o que expõe o serviço a falhas e à má-fé de uns poucos motoristas

Por O Dia

Rio - Deve ser à luz da constante profissionalização o debate sobre a polêmica da ação direta de inconstitucionalidade que quer proibir a transferência e a venda de licenças de táxi. A própria categoria se divide, como O DIA mostrou ontem: auxiliares, que pagam diárias não raro extorsivas, aprovam a iniciativa da Procuradoria-Geral da República. Permissionários, que de fato detêm a concessão, defendem o direito de transferi-la. A venda já é ilegal, apesar de haver livre comércio que gira até R$ 200 mil.

Encarar o táxi como uma capitania hereditária aumenta o risco de acomodação, o que expõe o serviço a falhas e à má-fé de uns poucos motoristas. Dentro desse prisma, não se deve ignorar as muitas reclamações de passageiros num serviço que deveria ser impecável, dada a importância estratégica que tem para o turismo e nos grandes eventos. Uma licença desse naipe traz grandes responsabilidades a quem arduamente foi aprovado no processo.

Aprimoramento constante significa impedir que concessões virem patrimônio ou ferramenta de exploração, o que fatalmente compromete a qualidade do serviço. Prestar um bom atendimento deveria vir antes da defesa da licença. Ideal que fosse, na prática, condição para mantê-la.

Por essa razão, é louvável a iniciativa da Secretaria Municipal de Transportes de capacitar os 54 mil habilitados a dirigir táxis no Rio. A medida atende a exigência prevista em lei federal e inclui noções de relações humanas, direção defensiva, primeiros socorros, mecânica e informações turísticas. A cidade só terá a ganhar com a capacitação de todos os motoristas e com gestão mais profissional.

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