Por bferreira
Publicado 26/06/2015 02:09

Rio - A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, resumiu de forma peculiar o que se passa no Alemão: “O que se vê lá foi extremamente impressionante.” Ao visitar o complexo, defendeu que “um programa com foco na mulher tem muito mais chances de sucesso, não apenas porque dá poder às mulheres e as coloca como guardiãs do Bolsa Família”.

A declaração de quem guarda a chave do cofre do FMI ganharia mais legitimidade sobre o papel da mulher nos programas sociais se ela visitasse a Oca dos Curumins da Tia Bete, na Favela Alvorada (próximo à Vila Olímpica), onde há um Ponto de Cultura, que recebeu ajuda de R$ 180 mil. Na ONG há atividades para crianças, jovens, adultos e idosos, um projeto mais amplo, envolvendo cursos de inglês, informática, moda, dança, reciclagem, entre outras ações sociais e culturais.

Se Lagarde soubesse que Tia Bete programou três ‘Manhãs de Autógrafo’ do meu livro ‘JK, segundo a CIA e o SNI’, onde distribuímos mil livros na sua ONG, no Campo da Vila Cruzeiro e na Associação dos Moradores daquela localidade, ela daria, sem dúvida, mais destaque o papel da mulher no Alemão.

Eu sou testemunha de que foram as mulheres — universitárias da Faculdade de História e estudantes do Ensino Médio — que mais se entusiasmaram com o evento, todas moradoras do Alemão, mas não deixaram de registrar o seu descontentamento com as editoras e livrarias — como uma estudante do Colégio Tim Lopes, da Alvorada — de que “os autores só lançam os seus livros na Zona Sul e não na Zona Norte, e muito menos nas favelas”.

O resultado dessa definição é de que as mulheres do Alemão querem ler, mas não têm o dindim, o vil metal, para adquirir, pelo menos, um livro por mês.

Sobre a influência das mulheres em posições no pedestal, como ela no FMI, Christine destaca Janet Yellen, no Banco Central americano, e Angela Merkel, a chanceler alemã. Christine disse que espera “que o máximo possível de meninas no mundo possa ter esse grande benefício”. “É claro que nós podemos fazer isso. Vocês mostraram isso. Eu mostrei, elas (as empreendedoras alemães) mostraram”.

Continentino Porto é jornalista

Você pode gostar

Publicidade

Últimas notícias