Editorial: Questão de igualdade de direitos

A ‘Ditadura Gay’ combatida a pedradas por alguns nada mais é do que uma justa, porém árdua, luta por direitos e igualdades

Por O Dia

Rio - Foi muito comemorada mundo afora, e também no Brasil, a decisão — apertada, mas soberana — da Suprema Corte dos Estados Unidos acerca do casamento gay. Houve quem interpretasse o fato como a garantia definitiva da igualdade de gêneros no mundo e quem reclamasse que era o início da ‘homoditadura’ rumo à perdição. Necessário refutar as opiniões extremas de ambos os lados; no entanto, a sociedade precisa reconhecer a relevância do fato de ontem e suas consequências.

No Brasil, a união homoafetiva é permitida, embora não esteja no alto-relevo da Constituição — que é clara ao limitar ‘família’ a homem e mulher. Depreendem-se daí várias interpretações acerca do conceito de casamento e os direitos vinculados.

Nos Estados Unidos, a Suprema Corte agiu para preencher uma lacuna. A Constituição deles, que de tão concisa é até decorada por alguns, não versa sobre a questão. A decisão de ontem proíbe que as justiças estaduais — e cada unidade ianque tem suas leis e seus costumes — considerem ilegal a união gay. Ou seja, não há mais entraves por lá, da mesma forma que não os há, grosso modo, aqui.

A ‘Ditadura Gay’ combatida a pedradas por alguns nada mais é do que uma justa, porém árdua, luta por direitos e igualdades. É o esforço por prerrogativas cidadãs, sem limitações ou reservas tacanha, e sobretudo pelo amor livre. Só não se pode esquecer que nos Emirados Árabes, Jamaica, Egito, Irã, Uganda, Rússia e tantos outros lugares, ‘amar’ dá cadeia e até pena de morte. Que seja o início de uma era de respeito e tolerância.

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