Editorial: Agrava-se a penúria da UFRJ

A maior universidade federal do país só tem verba para bancar-se por três meses apenas, alega o reitor recém-eleito

Por O Dia

Rio - Em janeiro, a comunidade acadêmica foi surpreendida pela notícia de que o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, fora obrigado a suspender a visitação por não conseguir manter a limpeza do espaço. Era reflexo da falta de dinheiro da UFRJ, que ora se agrava, como mostrou O DIA neste domingo. E tende a piorar. A maior universidade federal do país só tem verba para bancar-se por três meses apenas, alega o reitor recém-eleito, Roberto Leher, que toma posse esta semana.

Os motivos que levaram ao fechamento do Museu Nacional se observam agora no campus da Praia Vermelha, onde a degradação escancara a crise orçamentária da instituição. O quadro é ainda mais delicado, pois servidores estão em greve há um mês, comprometendo o andamento dos processos e trazendo angústia aos universitários.

A penúria não é exclusividade da UFRJ. A Rural também enfrenta paralisação, que fechou até o refeitório, e a Uerj, além de ter de lidar com o orçamento mirrado, ainda é abalroada por disputas internas de cunho político-ideológico.

São mais notícias ruins num país cujo governo acredita gerir uma Pátria Educadora. Se a crise não foi sequer cogitada quando da parição do slogan — e a despeito dos cortes e ajustes necessários impostos a todos os brasileiros —, que se dê sobrevida às universidades. A construção do saber sempre é o melhor antídoto contra recessões e pessimismo.

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