Por bferreira

Rio - Pregar retalhos na roupa do filho, esperar que a temperatura chegue próxima aos 20 graus para se gabar de fazer um ótimo quentão de cachaça, lembrar da festa inesquecível em Mauá, onde todos dançavam sobre um platô no meio de um vale sob o céu estrelado, escolher um vestido bem colorido. Esses são alguns dos prazeres que reforçam o meu lado lúdico nesta época do ano.

Mais um junho terminou. Mas, como bons brasileiros, estamos sempre meio atrasados. Se isso por um lado é horrível, na hora da farra é bom. Ou seja, junho passou, mas tem aí julho e agosto para as festas juninas ganharem uma sobrevida. Santo Antônio, São João e São Pedro já receberam as devidas homenagens, mas nunca é tarde, mesmo para os não católicos. É também a festa da barriga cheia, com salsichão, bolo de milho, canjica, sopa de ervilha. E para atiçar ainda mais o pecado da gula, tudo tem um sentido. As receitas com milho comemoram a fartura da colheita na estação, canjica traz fertilidade e por aí vai. Tudo é visto sob uma ótica rica na comemoração que, dizem as pesquisas do Google, foi originada na Europa. Junção de vários festejos, no Brasil as festas juninas encontraram seu lar, sendo enriquecidas com elementos das culturas indígenas e africanas. É muita riqueza para uma festa só. Não tem Natal, Réveillon ou Carnaval que vençam as noites enfeitadas com bandeirinhas coloridas ao vento, chapéu de palha, marias-chiquinhas.

De Norte a Sul do país, as características de cada região vão sendo implementadas. São danças com fitas, fogos de artifício, os vetados balões. Fogueiras para aquecer, quadrilhas, quermesses. Lembro-me muito de frequentar a da igreja próxima à casa da minha mãe. Na minha lembrança, a cidade estava toda ali reunida, todos que importavam. Havia os jogos com preá, pescarias, rifas. O pai de uma amiga ganhou uma garrafa de uísque. A comemoração foi semelhante a de uma vitória na Mega-Sena. E, num outro ano, eu, que nunca mais dei essa sorte na vida, ganhei minha primeira máquina de fotografar. Foi num bingo de clube. Os balões eram permitidos e me lembro da emoção de ajudar a acender as lanterninhas do balão que subiria minutos depois ao céu, com um coração gigantesco pendurado. Inesquecível.

E o que dizer da vez que, há pouco tempo, realizei o sonho de ser a noiva da quadrilha? Já que na quarta-série dos meus 10 anos quem ganhou o papel foi a filha da professora, aos 30 e poucos anos eu comprei um vestido branco na Saara e caprichei no figurino. Só não tive coragem de usar uma couve-flor como buquê. Mas fica aí a ideia para os mais animados.

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