Roberto Motta: Apenas o começo

Só uma minoria dos criminosos se regenera. Por mais dor que isso cause aos ideólogos da esquerda, crime é escolha

Por O Dia

Rio - A discussão sobre maioridade penal é quase sempre baseada em palpites, sentimentos ou ideologia. Isso leva a argumentos sem sentido, como aquele que insiste que prisão não reabilita (e não o faz, em país nenhum) ou que um preso custa mais que um aluno (um criminoso solto custa mais que os dois). Por isso criminosos menores de 18 anos não são presos, são apreendidos; por isso nossas ruas são uma selva onde a vida nada vale.

Nada justifica que alguém com 17 anos seja considerado incapaz para responder por um crime violento. É longa a lista de barbaridades cometidas por menores, e o Brasil deve adotar punições mais severas. É assim que a sociedade valoriza a vida: punindo exemplarmente os que a violam. Deveria ser óbvio. Está na hora de encarar a realidade e fugir das armadilhas ideológicas que levam à vitimização do criminoso e à transferência da responsabilidade para a sociedade. Penitenciárias não recuperam os criminosos, mas os afastam da sociedade e aplicam punição, duas tarefas essenciais. Por mais dor que isso cause aos ideólogos da esquerda, crime é escolha, e os pobres são as maiores vítimas.

Dizem que apenas 1% dos crimes é cometido por menores. Qual seria então a vantagem da redução da maioridade penal? Essas estatísticas não têm relevância. Se dos 60 mil homicídios por ano no Brasil apenas 600 forem cometidos por adolescentes, ainda assim eles devem ser punidos. A lei é igual para todos, e punição a crimes é, antes de tudo, questão de princípios. Mas a única estatística confiável sobre crimes no Brasil é o número de homicídios, comprovados pelo encontro do cadáver. Outros registros são notoriamente incompletos. A queixa de um crime cometido por um menor no Rio tem que ser feita na delegacia especializada, no Centro. Quem vai se dar ao trabalho?

Não esperem do Estado brasileiro, ultrapassado, ideologizado e corrompido, soluções razoáveis para o crime. Nossos homens públicos estão em campanha eleitoral permanente. As soluções que eles gostam são aquelas que dão manchetes ou gordas licitações. A resposta tem que vir da sociedade, dos homens e mulheres que trabalham duro, pagam impostos e cumprem as leis. Chega de viver com medo. É preciso reformar nossas instituições. A redução da maioridade penal é apenas o começo.

Roberto Motta é engenheiro civil e empresário

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