Jaguar: 'Vem que tem' (2)

Sempre muita saudade do João Nogueira, que partiu sem tomar a saideira

Por O Dia

Rio - Alguns amigos me irritam quando vão embora mais cedo. Para ficar só na área da música: Tom Jobim, Rafael Rabello e João Nogueira. Os sacanas nem tomaram a saideira antes de se mandarem. Na semana passada falei do disco ‘Vem Quem Tem’, do João, e transcrevi parte da entrevista publicada na contracapa. Valeu, porque uma alma caridosa leu a crônica e me deu uma velha vitrola para poder curtir o elepê. Lá vai o resto do papo de Albino Pinheiro, Serjão Cabral e eu com o maior sambista do Meier:

Jaguar – Qual é a sua música predileta nesse disco? João Nogueira – Não tenho predileção especial. Tem ‘Albatrozes’,que é uma diferente,o pessoal é capaz de me estranhar. Sou mais ligado ao samba. É um momento meu. Gosto muito também de ‘Nó na Madeira’, com meu ex-colega de Caixa Econômica, Eugênio Monteiro, pernambucano dos bons.

Jaguar – Quantos sambas nessa bolacha são inspirados na tua Ângela? João – Especialmente um: ‘Pra não fugir nunca mais’. Jaguar – Quer dizer que você fugiu uma vez e depois se arrependeu? João – Que é isso, rapaz. Albino – Esse disco me parece de alta qualidade, não técnica, mas artisticamente, como também você selecionou um pessoal de alto nível. Quem foram os caras que participaram? João Nogueira – Bom, a base foi feita com três músicos que sempre tocam comigo; o Joel, o Claudinho Jorge e o Milton Manhães, o Pezão.

E o conjunto Nosso Samba, que nunca me deixou na mão. O Sidney da Conceição, compositor do São Carlos, sempre está nos meus discos. Ainda participaram o Dino Sete Cordas, o Joel do Bandolim, o Aldo do contrabaixo, Paulo Moura, que toca um clarinete muito bonito em ‘Não tem tradução’, o Nelsinho do Trombone, o Laércio de Freitas, clarinete, o Hugo Bellart estraçalhando no sintetizador. Deixa ver, não posso esquecer ninguém: Dazinho, Luna, Marçal, Elizeu, Wilson das Neves, bateria, Cosme no assovio, o próprio Helinho Delmiro,que produziu o disco, acompanhou no violão em ‘Albatrozes’ e assoviou em ‘Nó na madeira’. Até o maestro Geraldinho, que fez todos os arranjos, também deu umas canjas. (Nota do cronista: fiz questão de não omitir os nomes, uma suprema corte do samba carioca).

***

E o Dunga, hem? O Aroeira resumiu : afrodescendente, não; asnodescendente. Eu acrescentaria, à maneira de Roberto Carlos: a sua estupidez não lhe permite ver sua asnice. Alguém deveria informar ao Dunga que nem asno gosta de apanhar.

Últimas de _legado_Opinião