Carlos Alberto Rabaça: Preocupações do Papa

Faz-se necessário o diálogo sobre o meio ambiente na política internacional e a transparência nos processos decisórios

Por O Dia

Rio - A recente encíclica ‘Louvado Seja’, do Papa Francisco, denuncia questões relacionadas ao meio ambiente e clama contra o mal que provocamos por causa do uso irresponsável dos bens terrenos. Tendo em conta que o ser humano é uma criatura deste mundo, não se pode deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre as pessoas.

A carta encíclica investe contra a “crescente tendência à privatização dos recursos hídricos”, apesar de sua escassez, transformando-os em “mercadoria sujeita às leis do mercado”, o que atinge os pobres. O documento assinala que há “propostas de internacionalização da Amazônia” e afirma que “interesses globais podem solapar a soberania das nações”. A encíclica dá foco ao que o ex-ministro Rubens Ricupero dizia há anos: “O tema repete uma ideia que não é nova dentro da Igreja, mas é radicalíssima a necessidade de criar uma alta autoridade internacional, um governo supranacional para cuidar de tão complexa questão.”

De fato o Papa se preocupa com a economia global, que incentiva o livre movimento das coisas e proíbe o livre movimento dos trabalhadores. Preocupa-se com uma ordem capitalista autoritária, que impõe ao mundo um modelo único e dogmático de mercado. Preocupa-se com o império da droga, criando sua própria jurisdição, impune, acima das jurisdições nacionais e internacionais.

Preocupa-se com a deterioração da civilização urbana, com a mendicância, pandemias incontroláveis, insegurança, criminalidade, declínio dos serviços de Saúde e Educação. Preocupa-se com tudo que atente contra a continuidade da vida. É necessário identificar e combater a raiz humana da crise ecológica. É urgente uma reflexão sobre os diferentes elementos de uma ecologia integral, que inclua as dimensões humanas e sociais. Faz-se necessário o diálogo sobre o meio ambiente na política internacional e a transparência nos processos decisórios.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor

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