Pedro de Lamare: Reforçar e avançar

Não podemos deixar que as coisas voltem ao que eram antes do início da implantação das UPPs

Por O Dia

Rio -  Vivemos um momento tenso. As más notícias chegam aos borbotões. As boas são raras. O Rio de Janeiro não foge à regra nacional. Além de perdermos parte considerável da receita dos royalties do petróleo, sentimos os efeitos da economia em recessão. O desemprego já chega a quase 7% da população economicamente ativa, ainda abaixo da média nacional, mas preocupante para uma cidade em que o setor de serviços, como o de bares, hotéis e restaurantes, é de longe o maior empregador.

Com o desemprego, cresce o contingente de pessoas que vivem na informalidade à medida que faltam ofertas para os mais jovens. Começamos a viver, novamente, tempos de insegurança pública. Não são raros os casos registrados de menores que ferem, e matam, para roubar bicicletas e celulares de pedestres ou turistas distraídos. E bares, restaurantes e albergues também estão na mira dos marginais.

Temos de agir rápido para não perder o que já foi alcançado. Não podemos deixar que as coisas voltem ao que eram antes do início da implantação das UPPs, quando o tráfico dominava comunidades, aliciava menores, implantava o terror, descia os morros para obrigar comerciantes a fechar as portas, deixando os cidadãos à mercê de guerra com a qual nada tinham a ver.

O Rio é um ativo turístico nacional. Nos últimos tempos, o turismo interno cresceu substancialmente, graças à sensação de segurança que se espalhava pelos nossos principais polos de atração. E essa conquista não pode ser ameaçada.

Sabemos que desde maio o BPTur renovou a frota de bicicletas e teve o efetivo aumentado nos pontos turísticos, especialmente na orla, na Lagoa e no Centro. Reconhecemos os avanços, cobramos o que ficou faltando (a presença institucional do Estado nas comunidades), mas tememos o retrocesso. Os investimentos em Educação e segurança pública são um projeto de Estado, não de governos. E precisam ser mantidos, apesar da crise econômica. Uma cidade educada e segura é sempre uma cidade atraente ao turismo. E, no caso do Rio, é uma questão de sobrevivência financeira, de manter empregos, de alavancar o crescimento dos setores de serviço, da indústria, da construção. Não há outro caminho.

Pedro de Lamare é pres. do Sind. de Hotéis, Bares e Restaur. do Rio

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