Por bferreira

Rio - Desde a posse do governador Luiz Fernando Pezão, em janeiro, o estado não vem pagando o salário de alguns prestadores de serviço na área de Saúde, nem repasses aos municípios. Em maio, o Cremerj se reuniu com o secretário estadual de Saúde, Felipe Peixoto, que confirmou os atrasos. No fim de junho, em nova reunião, não foram apresentadas propostas concretas para sanar os problemas.

O Cremerj entrou com representação, na Procuradoria-Geral de Justiça do estado, para responsabilizar o governador pela grave situação da saúde pública fluminense. O texto pede para apurar possíveis irregularidades em sua gestão, com aplicação de pena cabível por improbidade administrativa.

A representação mostra problemas constatados pelas fiscalizações do Conselho, como superlotação, condições precárias e falta de recursos humanos nos hospitais Rocha Faria e Carlos Chagas. Neste último, no dia da vistoria, eram 60 pacientes internados nos corredores — usados rotineiramente como extensão das enfermarias. O Instituto de Cardiologia Aloysio de Castro também foi citado pelo atraso de cirurgias, escassez de materiais e suspensão do serviço de limpeza e da manutenção dos elevadores.

O texto lista ainda a desativação do Centro de Tratamento de Anomalias Craniofaciais, que funcionava dentro da Policlínica Piquet Carneiro; e os problemas no funcionamento do Hospital Regional Darcy Vargas, em Rio Bonito, e da Unidade de Pronto Atendimento de Jardim Íris, em São João de Meriti, fechada por falta de verbas. Outro importante serviço suspenso pela ausência de repasses foi o Programa de Infarto Agudo no Miocárdio — convênio com o Ministério da Saúde, que promoveu expressiva melhoria no diagnóstico e tratamento de pacientes com doenças cardíacas.

A situação da saúde pública no Rio é insustentável. Os médicos estão trabalhando em péssimas condições, sem material, sem medicamentos. Os prestadores de serviço estão deixando de trabalhar pelo atraso de salários. É um verdadeiro caos e quem mais sofre é a população. Enquanto o governo se omite — não apresenta proposta de resolução —, a crise, infelizmente, cresce.

Nelson Nahon é vice-presidente do Cremerj

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