Por felipe.martins

Rio - Presidir uma das casas do Congresso é garantia de visibilidade e projeção, tal como governar um estado ou até mesmo o país. A liturgia do Parlamento e o poder concedido a seus membros transformam biografias — para o bem e para o mal. A história do Brasil é repleta de nomes que, findo o exercício no poder, perduraram como exemplos de liderança, democracia e civilidade. Também se contam muitos casos opostos, em que equívocos destruíram reputações e reduziram seus donos a folclore, factoides e irrelevância.

Nesta encruzilhada se acha o presidente da Câmara dos Deputados, que ontem, num arroubo de difícil compreensão, declarou guerra ao Planalto. Entender esta lógica se torna ainda mais custoso ao analisar três fatores: (1) sua conduta à frente do Parlamento vinha se pautando pela independência, com uma ou outra desobediência à base aliada; (2) a decisão foi tomada à revelia da direção de seu partido, que sinalizou continuar coligado à presidenta, e (3) a fala vem justamente no momento em que as investigações da Lava Jato repetem seu nome e chegam a seus bens.

Já era pouco ortodoxa sua pertinácia na aprovação de proposições na Câmara, como a redução da maioridade penal e a manutenção dos financiamentos privados de campanha — ambas em votações-relâmpago horas após rejeição em plenário. Agora, opta por este isolamento colérico, com consequências imprevisíveis para o país.

A história da República possui exemplos de sobra para nortear quem aspira a ser lembrado pela concórdia, pela justiça e pelo respeito às instituições e aos cidadãos. Eduardo Cunha ainda tem tempo para se fiar em estadistas que souberam conduzir a República em outros tempos delicados.

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