Por adriano.araujo

Rio - Embora seja recorrente a discussão sobre o trânsito no Brasil, pouco se evolui em soluções para amenizar o crescente número de mortes, com o agravante de, cada vez mais, serem os jovens as maiores vítimas. Estradas em más condições, sinalizações precárias, falta de fiscalização e de investimentos são alguns pontos nos quais o poder publico deixa a desejar, embora as cifras com impostos e multas sejam significativas.

A morte do cantor Cristiano Araújo, há menos de um mês, chocou o país pela perda precoce de um rapaz talentoso. Mas é ainda mais estarrecedor sabermos que a segunda causa de morte entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil é acidente de trânsito, ficando atrás apenas dos homicídios. Há seis anos, ocupávamos o quarto lugar no ranking de acidentes de transporte terrestre no Mercosul. Hoje estamos em segundo. A taxa de mortalidade, que era de 18,3 mortes por 100 mil habitantes, subiu para 22,5.

Em verdade, os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de jovens no mundo. E, quando não matam, deixam sequelas que exigem grande período de reabilitação. E nesse aspecto também é expressiva a presença jovem. Na Rede Sarah, por exemplo, 38% das vítimas de acidentes de trânsito em tratamento estão entre 20 e 29 anos.

Esses dados comprovam a ineficiência das autoridades, pois as campanhas educativas não só devem ser permanentes como precisam ser direcionadas cada vez mais cedo, quem sabe, ainda nas salas de aula. A prevenção pode fazer parte da formação do cidadão que, aos 18 anos, já se habilita a dirigir.

Iniciativas preventivas podem significar economia, pois ao olharmos para o SUS percebemos o reflexo do problema. Em 2013, foram mais de 170 mil internações por acidentes de trânsito, mais de 50% envolvendo motociclistas, gerando gastos de R$ 230 milhões com vítimas.

A inteligência no planejamento trará um futuro mais otimista para o trânsito. Investimento na malha rodoviária, em equipamentos de proteção e na formação de motoristas não são custos. Representam gestão responsável e cumprimento constitucional, garantindo o direito de ir e vir do cidadão com segurança. Um respeito à vida no qual todos somos responsáveis e merecedores.

?João Tancredo é advogado especializado em Responsabilidade Civil

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