Por adriano.araujo

Rio - No cabo de guerra em que se transformou a relação do Planalto com o Congresso, que tem aprovado com rapidez muito mais medidas que aumentam os gastos do que as propostas de austeridade tão aguardadas para o ajuste fiscal do governo, cai no colo da presidenta Dilma Rousseff amanhã mais uma bomba a ser desarmada. Depois dos aumentos para todas as aposentadorias do INSS acima da inflação, os parlamentares entregaram à sanção presidencial projeto de lei que dá reajuste médio de 56% aos 120 mil servidores do Judiciário. É mais do que o dobro do proposto pela União, de 21%.

Se vetado, a presidenta estará evitando os efeitos devastadores que tal medida desencadearia ao Erário, com despesas a mais de R$ 25 bilhões. Mas não os estragos à sua já baixa popularidade. O certo é que entre a prancheta de cálculos e a pressão política, a difícil decisão a ser tomada por Dilma norteará os próximos passos de outras categorias, como a dos servidores da Previdência em greve, que pedem reajuste igual.

Que fique bem claro que não se questionam o direito e a luta abnegada do funcionalismo federal pela justa correção de seus vencimentos. Mas, sim, o inoportunismo do momento por que passa o país, que precisa urgentemente conter gastos.

O que se espera, portanto, é que prevaleça o bom senso. Já passa da hora de nobres parlamentares deixarem as picuinhas políticas de lado e pensarem no país. Aprovar mais despesas que não podem ser pagas não complica só a governança de Dilma. É o mesmo que retardar os efeitos de uma bomba, que explodirá mais tarde no colo da população, com mais inflação, mais desemprego e maior sucateamento dos serviços públicos. O alto custo político, no fim, será pago por todos.

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