Aurélio Wander: Acorda, Brasil!

O Brasil está perplexo diante da impotência do outro Brasil

Por O Dia

Rio - O Brasil silenciou. Deixou que o juiz Sérgio Moro enfrentasse o poder econômico e o poder político instalados no Estado, nas empresas, nos bancos oficiais, autarquias e fundações. O país precisa acordar: o povo, que assiste à corrosão dos mecanismos de sua sobrevivência; a classe média, que olha seu castelo de esperanças desmoronar; as elites, ao perceberem a bancarrota. Todos.

Não se pode admitir a desarticulação das relações de trabalho, de mercado e de convivência social pacificamente e deixar a sobrecarga das circunstâncias para o juiz Sérgio Moro, procuradores e policiais federais da Operação Lava Jato e de outras investigações.

O Brasil está perplexo diante da impotência do outro Brasil. E necessita mobilizar-se para exigir que o Judiciário, as carreiras jurídicas e os advogados demonstrem seu apoio a esse magistrado ostensivamente.

Na solidão do cumprimento do seu dever, ele apura judicialmente a mais profunda onda de corrupção sistêmica, não apenas econômica, mas também das instituições.

É preciso que se reconheça o mérito e a coragem do juiz. Que, em suas resistentes oitivas, evita o papel de protagonista da salvação nacional.

Afirmar que a eleição presidencial foi legal é proferir expressão politicamente incorreta. Pois o fundamento da governabilidade instituída não é a questionada legalidade do pleito de 2014, mas a legitimidade das ações do governo então reeleito.

A fragilidade dos atos governativos que antecederam a votação foi marcada pelas práticas ilegais da ambição partidária e do oportunismo político. E traumatizou o Estado brasileiro.

É imprescindível a restauração dos fundamentos de legitimidade.

Aurélio Wander é professor e diretor de Legislação e Pesquisa do IAB

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