Por bferreira

Rio - A redução da meta do superávit primário, anunciada ontem pela equipe econômica da presidenta Dilma Rousseff, tem basicamente duas leituras. Na primeira, a arrecadação em queda livre, fruto da grave desaceleração do país, obrigou à revisão dos números. E no choque de realidade que a originou, na segunda leitura, os objetivos mais acanhados e a nova leva de cortes afastam, ao menos em tese, a tentação de se recorrer a ‘pedaladas’ para fechar as contas.

O Brasil tem chances plausíveis de, nas próximas semanas, ser rebaixado na nota das agências de classificação de risco. A explicação das novas medidas por Joaquim Levy e seus pares certamente mirou nas S&Ps, Moodys e Fitches da vida, a quem a ‘accountability’ — palavra em inglês que não tem um correlato direto em português e que abarca conceitos de transparência, quantidade e responsividade — é fundamental. Chegar a um superávit de R$ 8 bilhões em vez dos R$ 66 bilhões então prometidos, num cenário de retração do PIB, é mais fácil. Talvez os economistas-chefes comprem a tese.

Mas tudo na economia está interligado e, com a vênia do trocadilho, não é de graça. A revisão das contas públicas, com novo arrocho de R$ 8 bilhões, ratifica a delicadeza do momento. Está cada vez mais difícil sustentar a reversão desse quadro neste segundo semestre, e já há quem só a enxergue em 2017. Sinaliza, portanto, mais tempo de cintos apertados, investimento reduzido e incertezas. É positivo esse esforço do governo, mas sempre fica a dúvida se será suficiente. Novamente, propõe-se o debate sobre tamanho da máquina pública e sobre reforma tributária. Muitos brasileiros já estão sofrendo com a crise e anseiam por dias tranquilos.

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