Júlio Furtado: O que é educar?

Segundo Paulo Freire, só é possível educar a partir da esperança. Quando a esperança acaba, a possibilidade de educar acaba junto

Por O Dia

Rio - ‘Educar’ vem do latim ‘educare’, por sua vez ligado a ‘educere’, verbo composto do prefixo ‘ex’ (fora) e ‘ducere’ (conduzir, levar), e significa literalmente “conduzir para fora”, ou seja, preparar o indivíduo para o mundo. Tem a sua essência no método maiêutico criado por Sócrates, que tem como pressuposto não oferecer respostas, mas fazer novas perguntas que guiem o educando para dentro de si, em busca da resposta. Logo, o primeiro requisito para educarmos uma pessoa é acreditar que existem respostas dentro dela.

A educação familiar tem como objetivo proporcionar crescimento e desenvolvimento pessoal mediante valores dignos, para que seja possível sua convivência em sociedade. Dessa forma, a principal tarefa dos pais é desenvolver independência emocional, autodisciplina, capacidades e valores morais. A independência emocional fundamenta o amadurecimento; a autodisciplina embasa o desenvolvimento pessoal; os valores morais possibilitam o convívio em sociedade. Educar, dentro da família, tem caráter individual, privado. Educamos nossos filhos para que se tornem pessoas cada vez mais realizadas, autorreguladas e socializadas.

A educação escolar tem como principal foco a transmissão do conhecimento acumulado ao longo do tempo, a difusão do que a sociedade acha importante ser transmitido às novas gerações. Logo, a principal tarefa da escola é transmitir os conhecimentos consagrados, ensinar os procedimentos adequados e desenvolver as atitudes socialmente aceitas. Educar, na escola, tem caráter grupal, coletivo. Educamos nossos alunos para que se tornem pessoas mais cultas, mais habilidosas na capacidade de aprender e de interagir com as pessoas e com as regras sociais. A escola precisa estar atenta ao que o aluno sabe, às formas como lida com o conhecimento, à maneira como interage com outras pessoas e com as regras.
Segundo Paulo Freire, só é possível educar a partir da esperança. Quando a esperança acaba, a possibilidade de educar acaba junto. Quando os pais dizem que desistiram do filho ou o professor que desistiu do aluno, morreu aí a possibilidade de educá-los. Educar é, acima de tudo, questão de fé nas possibilidades do ser humano.

Júlio Furtado é professor e escritor

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