Editorial: Nova Justiça contra os homicídios

A impunidade como regra aos poucos envenena a sociedade, que, sem o respeito nas instituições, não pensa duas vezes ao cometer crimes e não teme consequências

Por O Dia

Rio - O Brasil não seria o país onde mais se lincha no mundo se tivesse uma Justiça célere. A constatação, que pela obviedade torna-se quase lugar-comum, ganha outro viés quando se analisam estatísticas simples.

Como O DIA mostrou ontem, de 100 homicídios, apenas oito vão a julgamento, e nem três terminam em condenação. Longe de defender barbarismos — a que este espaço se referiu segunda-feira com consternação —; ao contrário, para reduzi-los, é preciso reformar procedimentos e costumes.

A própria autora do estudo, de onde sai a conclusão aterradora, indica um caminho. A socióloga Ludmila Ribeiro sugere que se unifiquem processos e inquéritos. Hoje, polícia e Justiça fazem praticamente o mesmo trabalho em momentos distintos, quando ganhariam tempo se cooperassem e avançassem ao mesmo tempo. O resultado é a espera média de sete anos para a conclusão de um caso. Não há como nutrir confiança desse jeito.

A impunidade como regra aos poucos envenena a sociedade, que, sem o respeito nas instituições, não pensa duas vezes ao cometer crimes e não teme consequências. No cipoal de presídios lotados, não faltam inocentes encarcerados injustamente. Falhas cada vez mais comuns, enquanto cresce o justiçamento bárbaro nas grandes cidades.

A solução, como quase tudo neste país, não virá da noite para o dia e dependerá de grandes transformações — como já indica a sugestão de Ludmila. Mas não se trata de utopia. A própria adoção da mediação, como descrito em artigo nesta página, ajudará a desafogar os corredores da Justiça, que terá como dar mais atenção ao que depende dela.

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