Doutor Julianelli: Como é possível comemorar sem Saúde?

O nosso Sistema Único de Saúde é perfeito em sua teoria

Por O Dia

Rio - Hoje, 5 de agosto, data de nascimento de Oswaldo Cruz, o maior sanitarista brasileiro, se comemora o Dia Nacional da Saúde, mas a sétima maior economia do mundo não tem motivos para festejar. Em meio a epidemias de dengue, casos de malária e o surgimento de doenças novas como as febres Chikungunya e Zika, chegam para somar o número de constantes enfermidades sempre presentes como tuberculose e Aids, entre outras menos midiáticas.

O nosso Sistema Único de Saúde (SUS) é perfeito em sua teoria. Foi criado na Constituição de 1988, com base nos princípios da Universalidade, Equidade e Integralidade da atenção à saúde. Governos do mundo inteiro vêm até o Brasil estudar como o SUS foi concebido, com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população, tornando obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto. Porém, sabemos que a realidade é bem diferente: filas enormes continuam a assombrar a população, causando mortes desnecessárias, muitas vezes após uma verdadeira via-crúcis entre hospitais; a falta de medicamentos básicos nas farmácias e hospitais; e Santas Casas e Hospitais Universitários com enormes dívidas, comprometendo, inclusive, o funcionamento básico de suas estruturas, deixando muito a desejar em seus atendimentos.

Um dos mais emblemáticos exemplos do descaso público é o sucateamento dos hospitais-escola, como o Pedro Ernesto, da Uerj, um dos Olimpos da medicina brasileira, hoje o retrato de uma situação degradante com enorme dificuldade para cumprir seu papel na formação dos profissionais de saúde e passando pela constante redução de leitos na unidade.

Precisamos pensar em uma nova Saúde para o Brasil. Colocar em prática o que foi concebido no fim da década de 1980 já seria um grande avanço, mas precisamos de muito mais. Enquanto a saúde for encarada como um negócio, e não como um direito, o atendimento público jamais será enxergado com prioridade. E não continuaremos sem ter o que comemorar.

Doutor Julianelli é deputado estadual pelo Psol e médico infectologista

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