Editorial: Uso torto de instrumentos democráticos

A crise política e econômica também opera milagres. Um deles foi a aprovação das contas de um ex-presidente morto há quatro anos

Por O Dia

Rio - A crise política e econômica também opera milagres. Um deles foi a aprovação das contas de um ex-presidente morto há quatro anos. No afã de julgar as finanças do primeiro mandato da presidenta Dilma, a Câmara dos Deputados de Eduardo Cunha enfileirou — e referendou — de uma só sentada as prestações de três ex-presidentes. Um deles é Itamar Franco, que deixou o Planalto em 1º de janeiro de 1995, falecendo 16 anos depois. FH e Lula também passaram nessa ‘aprovação-relâmpago’.

É prerrogativa do Parlamento escrutinar planilhas, levantar dúvidas e cobrar ajustes, sobretudo quando se está lidando com o Erário. O problema é quando se usa esse instrumento democrático com fins outros. E o desequilíbrio fica evidente ao ver que contas do século passado estavam esperando o aval dos legisladores.

Ssustentar súbito interesse pelas contas e se apropriar do expediente como método de pressão é desrespeitar o eleitor. A democracia prevê meios mais dignos de buscar o debate.

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