Editorial: Falência das cadeias no caso Playboy

Prender de faz de conta é um enxugamento de gelo no qual a sociedade é a maior vítima

Por bferreira

Rio - Antes da necessária discussão sobre os momentos que levaram à morte de Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy — se houve mesmo troca de tiros, se o traficante se recusou a se entregar, etc. —, cabe atentar para um fato. Como O DIA detalhou na própria edição de domingo, tanto o chefe do Complexo da Pedreira quanto pelo menos dois de seus possíveis sucessores são foragidos do sistema penitenciário.

Por se tratar de casos extremos — lideranças de facções, anos a serviço do crime, grande influência e poder em comunidades —, o que se passa com a horda de Playboy enseja amplo debate sobre Justiça, Código Penal e sistema carcerário. Enquanto presídios superlotam com gente que nem sequer foi julgada, chefões reclusos em cadeias ditas de segurança máxima continuam dando ordens — e Playboy era um dos interlocutores.

Prender de faz de conta é um enxugamento de gelo no qual a sociedade é a maior vítima. Esse é o debate que tem de ser feito — não a redução da maioridade penal.

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