Esther Guimarães: A modernidade da paternidade

Como ocorre em todos os anos desde que essa data tão especial foi criada, comemoramos anteontem mais um Dia dos Pais

Por bferreira

Rio - Como ocorre em todos os anos desde que essa data tão especial foi criada, comemoramos anteontem mais um Dia dos Pais. Embora muitos não contem com eles constantemente em suas vidas, seja pela ausência conjugal ou por fatalidades adversas, é neste dia em que podemos refletir sobre a importância da ‘figura paterna’ no cotidiano. Ela pode surgir por meio de diversos aspectos, seja pela imagem do homem forte que nos pegou no colo, nos passando a sensação de proteção absoluta, ou ainda pela imagem do senhor autoritário que nos negava a liberdade de fazer o que quiséssemos, com objetivo de garantir nossa segurança. Nosso primeiro herói e vilão.

Em ambos os casos, e na maior parte deles, a ‘figura paterna’ é representada exclusivamente pelo masculino, perfil curioso quando identificamos que o Brasil, segundo o Data Popular, conta com 67 milhões de mães solteiras, responsáveis por criar seus filhos sozinhas em meio às adversidades do país. Deste total, 31% são solteiras e 46% trabalham. Com idade média de 47 anos, 55% pertencem à classe média, 25%, à classe alta, e 20% são de classe baixa.

Além disso, existem mudanças no âmbito familiar moderno que impactam na forma como enxergamos a figura paterna tradicionalista. Pesquisa da revista ‘Pnas’, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, comprovou que a adoção de um bebê por um casal de homens gays pode gerar adaptações cerebrais em que ambos assumem os papéis de pai e mãe da criança. A conclusão foi tomada após a identificação de que os circuitos emocionais e cognitivos dos pais homossexuais eram ativos como os das mães e pais heterossexuais, ao serem analisados ao lado de seus filhos. Os pesquisadores também descobriram que quanto mais tempo um pai gay passa com o seu bebê, melhor a conexão entre as estruturas emocionais e cognitivas do cérebro.

Todos esses dados e pesquisas só reforçam a mudança no estereótipo do pai tradicional e jogam luz sobre um perfil mais moderno de Dia dos Pais. Por isso, filhos, aproveitem os momentos com seus pais e ofereçam em todos os dias o maior e melhor presente que eles poderiam receber que é o carinho e a reciprocidade do amor.

Esther Guimarães é escritora e apresentadora

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