Aristóteles Drummond: O drama da população de rua na cidade

O Rio completa 450 anos sem conseguir eliminar alguns de seus problemas graves, mas de baixo custo para poder público

Por O Dia

Rio - O Rio completa 450 anos sem conseguir eliminar alguns de seus problemas graves, mas de baixo custo para o poder público. E, no entanto, são importantes na qualidade de vida da população, na imagem da cidade, no fortalecimento da vocação para o turismo.

Um dos mais antigos é a questão da população de rua. No passado, eram os inofensivos ‘mendigos’. O número foi crescendo, vieram o álcool, as drogas e sobretudo a violência. A estimativa é que, entre o Centro e a Zona Sul, sejam perto de seis mil os moradores de rua.

Na região da Praça Paris até o Santos Dumont, incluindo o Aterro e os jardins do MAM, a ocupação afronta a população e oferece um espetáculo degradante a quem chega à cidade. A calçada em frente ao aeroporto, ‘despoliciada’, coloca os passageiros diante do assédio de menores. No embarque da Rodoviária Novo Rio, a situação é igualmente assustadora.

Em Copacabana, a ocupação já tornou inviáveis muitos restaurantes e faz do calçadão da Avenida Atlântica uma zona perigosa a qualquer hora do dia. Os moradores, que pagam um IPTU alto, estão praticamente presos em casa. Nada justifica atender os que defendem esta vergonha para a cidade. Afinal, a indiferença em relação a estes infelizes, doentes em boa parte, compromete a cordialidade e a formação solidária e acolhedora dos cariocas. Não retirar para atender pessoas equivocadas, que são os defensores deste ‘status-quo’, apequena as autoridades e a própria sociedade.

Todos deveriam se unir em torno de um projeto exemplar de acolhimento, tratamento médico, reeducação e reinserção na sociedade. Com tanta Bolsa Família e outros programas sociais, não se entende o abandono de um problema grave, que retira empregos de milhares de profissionais e humilha os cariocas e fluminenses.

A crise na economia pode tornar a situação mais dramática, estando hoje presente em muitas cidades do interior. E algumas que vivem do turismo, como Búzios, onde a abordagem e pequenos delitos nas praias são fatores determinantes do não retorno de muitos turistas.

Fingir que o problema não existe é tapar o sol com peneira. Postura egoísta e de inacreditável insensibilidade.

Aristóteles Drummond é jornalista

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