Editorial: Dissonância não pode ser irracional

Fere-se a democracia quando se brada pela volta da ditadura e se estendem faixas e cartazes exigindo ritos sumários de impeachment

Por O Dia

Rio - Há exatos cinco meses, multidões tomaram as ruas e expressaram seus pontos de vista — primeiro, simpatizantes do governo e centrais sindicais; depois, descontentes e opositores. Na ocasião, passados os dois atos, este espaço ressaltou o valor inestimável das manifestações populares, mas atentou para pontos fora da curva — que podem se repetir neste domingo.

Fere-se a democracia quando se brada pela volta da ditadura e se estendem faixas e cartazes exigindo ritos sumários de impeachment. Radicalismos não trazem nada de positivo, mas há quem se aproveite deles para angariar apoio e tatear pelo lamaçal do golpismo.

É possível dizer que a situação político-econômica do país, hoje, é mais delicada que a observada em março — vide o desemprego e a inflação. Descontentes têm toda a razão em protestar e precisam fazê-lo hoje, pois é da dissonância que se constrói um país melhor. O processo, no entanto, terá outros e perigosos resultados se descambar para a irracionalidade.

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