Wilson Diniz: Eleição em São Paulo pode enterrar o PT

O PT reedita a saga dos elefantes com atestado de óbito a ser assinado pelo eleitorado em 2016

Por O Dia

Rio - Quando um elefante está prestes a morrer, ele volta ao local onde nasceu. Quando envelhece e não consegue acompanhar a manada dos mais jovens, é abandonado pelo grupo. Esta parábola retrata a história do Partido dos Trabalhadores. Nascido no berço dos sindicatos paulistanos, hoje está em morte agonizante, mesmo em seu reduto — é real a chance de o prefeito Fernando Haddad perder a reeleição. Com parte da cúpula que fundou a legenda presa ou envolvida em escândalos, o partido deve levar uma surra daquelas nas urnas no ano que vem.

Em 2012, o PT elegeu 634 prefeitos em cidades com 58 mil habitantes, com renda média de R$ 1.423, onde o Bolsa Família abrange 33% da população. Em São Paulo, na última sondagem, Haddad está em quarto nas intenções de voto, atrás de Russomanno (33%), da Record; de Datena (22%), da Band, e de Marta Suplicy, sem partido, ex-quadro do PT. Marta e Haddad, petistas de origem, são preteridos por dois representantes do conservadorismo sensacionalista das periferias urbanas de São Paulo.

O quadro previsto das eleições em 2016 em São Paulo tende a ser irradiador para as grandes capitais do país. Com a economia em recessão e o eleitorado do Bolsa Família — que sustentava a vitória de parte dos prefeitos do partido — sofrendo os efeitos da inflação, o cenário é de derrota nas cidades com mais de 100 mil eleitores.

A economia em frangalhos, com desemprego crescente, um terço dos brasileiros enfrentando restrição ao crédito e a nova classe média endividada no cheque especial, fecha o caixão para o partido ser enterrado em cova rasa no próximo pleito.

Russomanno e Datena despontando nas pesquisas não surpreende, pois o eleitorado está descrente com o político tradicional, desiludido e muito pessimista com o futuro do país. Procura encontrar novos atores, com discursos populistas que apresentem propostas ‘salvacionistas’ no maior colégio eleitoral do país.

Russomanno é o ‘representante’ da Igreja Universal, e Datena, da Band. Falta o candidato da Globo para disputar as verbas de publicidade da prefeitura como nome da Igreja Católica. O PT reedita a saga dos elefantes com atestado de óbito a ser assinado pelo eleitorado em 2016.

Wilson Diniz é economista e analista político

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