Wilson Diniz: Pezão e o desafio de um duro ciclo recessivo

As finanças do estado e dos municípios do Norte Fluminense sofrem os efeitos diretos dos repasses dos royalties e de queda de ICMS da cadeia produtiva

Por O Dia

Rio - O governador Pezão tem uma rabuda pela frente, e não é só culpa da China. Além do derretimento da Bolsa de Xangai, que escancara a queda da atividade econômica do maior parceiro comercial do Brasil, há uma iminente e preocupante crise do petróleo. O Irã está voltando ao mercado, e os Estados Unidos vêm instalando mais sondas de exploração. O resultado é o preço do barril ter despencado a 40 dólares, podendo chegar a míseros 32 dólares até o fim do ano.

A teoria dos ciclos econômicos comprova que fases recessivas duram de quatro a dez anos. Cenário preocupante, ainda mais por causa do contexto ruim: inflação em alta, desemprego batendo 7,5% nas seis principais capitais do país e PIB caindo 2%. Isso é desastroso para a economia do Rio. O barril a 32 dólares obrigaria a Petrobras a rever o investimento no Pré-sal, cuja viabilidade de exploração dependia de média de 40 dólares.

Como resultado, as finanças do estado e dos municípios do Norte Fluminense sofrem os efeitos diretos dos repasses dos royalties e de queda de ICMS da cadeia produtiva. Campos, por exemplo, está em situação pré-falimentar, com déficit que pode chegar a R$ 1,9 bilhão e não deve fechar as contas em 2015.

Na cidade do Rio, o cenário ainda é promissor, pois as obras da Olimpíada sustentarão o nível do emprego da construção civil até junho. Mas, com o término do evento, estima-se que 35 mil trabalhadores perderão o emprego. No caso das finanças, o quadro não é tão desanimador. As receitas do petróleo não têm tanto impacto na estrutura orçamentária, e estas podem ser compensadas com o ISS e o IPTU recolhidos dos novos empreendimentos imobiliários.

Para piorar, a crise política que paralisa o país e o Petrolão — que já mancha Angra 3 e deve se estender às hidrelétricas — agravam a queda da atividade da economia do estado. Pezão, nos próximos três anos e meio, terá de governar de olho na Teoria dos Ciclos, prevendo o pior — até dez anos de pindaíba. Como resultado de um processo recessivo, com inflação e desemprego em alta, os índices de criminalidade tendem a aumentar sem contrapartida de investimentos em Segurança Pública em função da queda de receita do petróleo.

Wilson Diniz é economista e analista político


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