Érica Quintans: Cura do câncer não está apenas na esfera física

Humanizar o tratamento é essencial para garantir o cuidado e o acolhimento tão necessários nas rotinas hospitalares

Por O Dia

Rio - Crianças e adolescentes com câncer passam por longo tratamento, ficando muitas horas no hospital. Engana-se quem pensa que a cura passa apenas pela esfera física, pois é composta por aspectos sociais, emocionais e intelectuais. Nesse cenário, torna-se importante a busca pela diminuição do estresse, do medo e da ansiedade, como acontecem nos projetos Aquário Carioca, Hospedaria Juvenil e Submarino Carioca, implementados em hospitais públicos do Rio.

Humanizar o tratamento é essencial para garantir o cuidado e o acolhimento tão necessários nas rotinas hospitalares. Significa ainda ir além, auxiliando no processo de combate à doença e na busca constante de melhorias na saúde através de um olhar holístico e inovador de processos que envolvam o paciente, o cuidador e os profissionais de saúde.

A humanização traz os sentidos de individualidade e singularidade no contexto hospitalar, que é muitas vezes perdido ou ignorado. Para os pacientes e os cuidadores, significa mais qualidade no atendimento.

Para os profissionais de saúde, é fonte de um ambiente acolhedor e seguro para realizar seu trabalho, o que potencializa o intercâmbio de vivências e beneficia a todos os envolvidos na cura do câncer infantojuvenil.

Pesquisas realizadas pelo Desiderata mostram ainda que a ambientação facilita a adesão ao tratamento, amplia o sentimento de pertencimento, traz a sensação de que o tempo passa mais rápido e leva à diminuição da dor e ansiedade. Na prática, o conceito de humanização pode se dar na transformação dos espaços de diagnóstico e tratamento em ambientes sensoriais e lúdicos, o que contribui para maiores chances de cura. A estratégia também reforça conceitos como aconchego e tranquilidade, promovendo a melhor organização do espaço e da rotina do serviço.

Investir em humanização é estratégia fundamental para consolidar a atenção à saúde como um cuidado de qualidade, integral e universal. Não importa se será feita por mais ou menos pessoas, com um investimento maior ou menor, mas deve garantir uma assistência humana com excelência e dignidade no combate ao câncer infantojuvenil.

Érica Quintans é assis. de Proj. de Oncologia Pediátrica do Desiderata


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