Por bferreira

Rio - Os jornais dos últimos dias destacaram o quadro caótico em que nossa economia se encontra: o PIB deve fechar o ano com queda de 2,5%. O dólar dispara, podendo bater R$ 4. A taxa de juros de crédito ao consumidor supera 300% todas as vezes que o Banco Central sinaliza que deve elevar a Selic em 0,5 ponto. O crédito da casa própria está mais caro. Os saques do FGTS fotografam a taxa de desemprego, que já atinge 7,5% nas seis principais capitais do país — sem considerar as pessoas que desistiram de procurar trabalho. A construção civil, que sustenta a taxa de investimento, entrou em colapso, e o setor imobiliário está com excesso de oferta. Nesse embalo, a construção pesada de obras públicas também sofre. São os efeitos da recessão provocada pelos desmandos das políticas conduzidas pela equipe da presidenta Dilma em cinco anos de governo.

O cenário se agrava todas as vezes que a presidenta faz declarações inoportunas, como a da ideia de colocar em votação a CPMF sem analisar os riscos de aceitação pela sua base aliada.

Os governos dos estados, indefesos dos erros da condução da política econômica da equipe da presidenta Dilma, sofrem os efeitos da retração em todas as atividades e da queda de arrecadação, que chega a 30%, como no caso do Rio, e do Rio Grande do Sul, que está em moratória.

No Rio, o governador Pezão tem bancado a crise sem críticas ao modelo imposto pelo Planalto. Com a queda do preço do barril do petróleo, as receitas dos municípios do Norte Fluminense despencam. Com as importações mais caras, o efeito direto no caixa da Fazenda do estado não tem contrapartida do aumento de receitas das exportações. A conta não fecha.

O governador Pezão tem que estar atento para o ano que vem. A crise econômica tende a piorar no estado. As projeções são de recessão, pois só no Rio serão fechados 35 mil postos de trabalhos na construção civil.

Numa economia em profunda crise, com o emprego em queda e sem perspectivas de crescimento no médio prazo, os índices e violência e da criminalidade nos segmentos dos pequenos delitos aumentam. Estamos em profunda recessão e dentro de caos político sem novos horizontes. Apertem os cintos.

Wilson Diniz é economista e analista político

Você pode gostar