Nelson Nahon: A Baixada Fluminense pede socorro na Saúde

Número de postos de saúde e clínicas da família é insuficiente, o que compromete o primeiro atendimento

Por O Dia

Rio - A Saúde pública do Rio vive crise sem precedentes. A situação é caótica em todo o estado. Mas uma região apresenta problemas ainda mais graves: a Baixada Fluminense. E eles começam já na atenção primária. O número de postos de saúde e clínicas da família é insuficiente, o que compromete o primeiro atendimento. Um paciente que tem uma doença crônica, como a diabetes, ou uma pneumonia poderia ser tratado em ambulatório. Mas, com a carência do serviço, ele recorre às UPAs e às emergências dos hospitais.

Enquanto o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, se desdobra para atender a sobrecarga de pacientes, em Nilópolis, o Hospital Juscelino Kubitschek, de quatro andares, com leitos de enfermaria de retaguarda, maternidade de baixo risco e emergência, foi fechado. Em Mesquita, o Hospital Municipal Leonel Brizola, referência para o ensino médico, também encerrou as atividades.

O Hospital do Joca, em Belford Roxo, reaberto este mês, nunca funcionou a pleno vapor. Há três anos a unidade estava em obras e em condições precárias. Em Meriti não há hospital geral, e a UPA Jardim Íris foi fechada pela prefeitura, que alegou falta de dinheiro para mantê-la. Queimados também não tem hospital-geral, assim como Japeri. Paracambi tem apenas um pequeno, sem estrutura para atendimento a traumas.

O governador Pezão prometeu fazer um hospital na Baixada, mas é clara a falta de planejamento. O estado promete ainda um de Cardiologia em Queimados. Enquanto isso, o Regional do Sul Fluminense, em Volta Redonda, está pronto e não é inaugurado por falta de verba. Se não há dinheiro para inaugurar o hospital, como serão construídos outros dois na Baixada?

Mas existe solução: investimentos, planejamento para a atenção primária, para os hospitais de retaguarda, e fazer com que o Sistema de Regulação de Vagas funcione. O Cremerj acompanha a situação através do Projeto Baixada, que fiscaliza unidades de atenção primária e será concluído em até dois meses. Com os dados em mãos, vamos continuar cobrando soluções. Manter a população de uma região como aquela desassistida é um absurdo. Temos que mudar este cenário.

?Nelson Nahon é vice-presidente do Cremerj

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