Editorial: Porta fechada após destruir a casa alheia

Foto do menino Aylan, siriozinho que perdeu a vida em mais um absurdo naufrágio no Mediterrâneo, parece ter quebrado o muro de insensibilidade que muitos ergueram

Por O Dia

Rio - O calvário dos refugiados, cujo drama se firma como um dos mais contundentes da década, tem origens bem definidas: a lambança avalizada pelo Ocidente nas frágeis nações muçulmanas que tentaram se reinventar na Primavera Árabe, mas ainda tropeçam na rota democrática. Este mesmo Ocidente agora fecha as portas às vítimas de sua balbúrdia, da qual emergiu o Estado Islâmico.

A foto do menino Aylan, o siriozinho que perdeu a vida em mais um absurdo naufrágio no Mediterrâneo, parece ter quebrado o muro de insensibilidade que muitos ergueram. Mas empatia, apenas, não resolve o drama. A chanceler Angela Merkel, que lida com a questão de forma pragmática, não nega guarida a imigrantes, mas defende “cotas” entre os países.

Mais humanitário que acolher refugiados é acabar com a causa do êxodo, como restaurar a paz na Síria e neutralizar o Estado Islâmico — mas o Ocidente, incompreensivelmente, não parece tão preocupado com o que os radicais fazem com os seus ou o que podem fazer ao mundo.

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