Editorial: Tática eficaz contra o poder da milícia

Mecanismos para interceptar esses atravessadores são cada vez mais indispensáveis para o estado virar o jogo

Por O Dia

Rio - Indicador inquestionável do poder de uma organização criminosa são as cifras que movimenta. Como O DIA mostrou semana passada, paramilitares de uma mesma milícia, em guerra sangrenta, disputam espólio de R$ 6,5 milhões na Zona Oeste: é quanto lucram, por mês, apenas com o controle da venda de gás de cozinha e do sinal clandestino de TV a cabo. O império ruiu, e agora dois lados tentam assumir o poder. Mortes violentas se sucedem.

Diferentemente do tráfico, que mantém domínio majoritariamente territorial, a milícia depende da exploração dos serviços. É inadmissível, por exemplo, bandos cobrarem ágio em 90% das entregas de gás. Ganham muito dinheiro e força para extorquir mais de indefesos moradores, como nas abomináveis ‘taxas de segurança’.

Mecanismos para interceptar esses atravessadores são cada vez mais indispensáveis para o estado virar o jogo. Enquanto não se asfixiarem as fontes de renda desses criminosos, a luta será um enxugamento de gelo, do qual o Rio está cansado.

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