Aristóteles Drummond: Como não afundar a credibilidade do país

Está faltando um pacote de coragem e audácia para destravar a economia

Por O Dia

Rio - A área econômica do governo, estando à frente o ministro Joaquim Levy, sabe o que fazer sob o ponto de vista técnico no enfrentamento dessa crise grave e de muito difícil saída no médio prazo. Este ano está perdido, e 2016 também. Mas o governo precisa saber selecionar prioridades para que o descrédito do Brasil, interno e externo, não seja agravado.

As medidas devem ser iniciadas pelo Rio, onde a pauta de investimentos é grande e de monta. Não pode faltar liberações ligadas à Olimpíada de forma alguma. E mais: dois projetos se impõem prioritários, o Comperj e as obras na Washington Luís, duplicando a Serra. Esta vem diminuindo o ritmo, e o BNDES precisa liberar R$ 400 milhões este ano. Afinal, é a ligação do Rio com Belo Horizonte e Brasília.

Alguns deputados do Rio e dessa região, como Hugo Leal e Julio Lopes, já atuam em Brasília, cobrando o tratado. A concessionária Concer não parece muito interessada, uma vez que o atraso nas liberações, por cláusula contratual, prorroga automaticamente sua permanência no trecho, cuja subida está cheia de remendos incompatíveis com o preço do pedágio cobrado.

Outra providência elementar seria a liberação das verbas do Ministério das Relações Exteriores para pagamento de compromissos internacionais, desde contas das embaixadas e consulados, ao pessoal local, e aos próprios organismos internacionais. O Brasil deve a entidades como ONU, FAO e CPLP. Um vexame para um país que arranja dinheiro para financiar Cuba e Venezuela, cujo retorno é questionável.

Está faltando um pacote de coragem e audácia para destravar a economia. Algumas boas ideias circulam, mas não prosperam. Prorrogar as concessões das usinas elétricas por cinco anos depende apenas de papel e caneta. Acabar com o imposto sobre ganhos de capital no mercado acionário poderia abrir novos canais de financiamento para nossas empresas de capital aberto, assim como diminuir o percentual sobre dividendos, por muitos considerado bitributação.

Para facilitar o investimento gerador de emprego, inibido por decisões do Judiciário de assustar poupador, bastaria alterar poucas coisas nas leis trabalhistas. Aliás, neste sentido, se pronunciou em entrevista à ‘Folha’ o banqueiro Roberto Setúbal.

Aristóteles Drummond é jornalista

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